sábado, 23 de fevereiro de 2008

No Douro Atlântico - Cavaco Silva em Quintandona


Foto: Quintandona, Penafiel.
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O Presidente da República, Cavaco Silva, visitou ontem Sexta-feira a aldeia histórica de Quintandona, concelho de Penafiel, um exemplo de preservação entre as 36 "Aldeias de Portugal".
É a segunda vez que Cavaco Silva visita esta aldeia, destino rural singular, exemplar na preservação do passado, cultura e costumes populares.
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O actual lugar de Quintandona, referido nas Inquirições de Afonso III (1258) sob a designação de "Quintana donega", tem 64 habitantes, com uma média de idades de 34 anos. Dispensando os ATL’s, a ausência de trânsito automóvel e a calma que reina nesta povoação permite que as crianças brinquem sozinhas na rua até ao anoitecer.
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Através da medida Agris do Programa Operacional da Região Norte, a Câmara Municipal de Penafiel efectuou em Quintandona intervenções no espaço público (abastecimento de água e saneamento básico, electricidade, telefones, construção de passeios e zonas de lazer). Foram também intervencionadas habitações privadas, embora algumas tenham sido recuperadas pelos próprios proprietários.
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Na ausência de qualquer elemento de carácter dissonante, utilizando o xisto, o granito, a ardósia e a madeira como materiais de construção, o núcleo da aldeia é exclusivamente constituído por habitações de traça tradicional, no seio de alguns equipamentos públicos (tanque, fontenário, …) outros ligados à produção (espigueiros, eiras,…) e construções de índole religiosa (capela, cruzeiro, …).
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Penafiel está de parabéns! Quintandona é um bom exemplo a seguir...
Rafael Carvalho, Fev2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Expresso - A casa tradicional Portuguesa




Na pesquisa que vou desenvolvendo no âmbito das temáticas “Arquitectura Popular”, “Arquitectura sustentável”, “Bioconstrução”, "Urbanismo", entre outras, vários são os documentos encontrados cuja qualidade justifica a sua partilha.
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Com a chancela do "Jornal Expresso", usando de um agradável grafismo, os documentos que hoje pretendo partilhar dão relevo à diversidade arquitectónica do nosso país.
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Basta clicar:
. Casas do Norte (pdf)
. Casas do Sul (pdf)
. Casas das Ilhas (pdf)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Carta aberta ao DouroNet - Portal Turístico do Douro


Foto: Ucanha - Tarouca
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Ex.mos Senhores
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Desde já as minhas felicitações pela promoção que fazem à região do Douro. Escrevo na qualidade de visitante assíduo do vosso Portal e é como tal que avanço com uma sugestão.
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Lançado em 2001, no âmbito da Acção Integrada de Base Territorial do Douro, o programa “Aldeias Vinhateiras” tem como objectivo principal a criação de uma dinâmica de regeneração e valorização das Aldeias do Douro Vinhateiro, através da revitalização socio-económica, da fixação da população e do reforço da promoção turística do Douro.
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Nas povoações aderentes, (Ucanha, Salzedas, Barcos, Provesende, Favaios, Trevões), procedeu-se à requalificação de espaços públicos (pavimentação, dotação e/ou remodelação de infra-estruturas básicas, colocação de mobiliário urbano), reabilitação dos edifícios sede das Juntas de Freguesia, melhoria de acessibilidades - e na intervenção no domínio “privado” - reabilitação/recuperação de fachadas e coberturas de edifícios particulares confinantes com a zona pública.
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Durante o ano de 2007 o Festival das Aldeias Vinhateiras ofereceu a primeira oportunidade para se conhecer e desfrutar as Aldeias. Durante seis fins-de-semana, nos meses de Setembro a Outubro, espectáculos de marionetas, de clown, de teatro, de música e de dança invadiram as Aldeias Vinhateiras valorizando a sua riqueza cultural, monumental, histórica e paisagística. As adegas tradicionais, os vinhos e a gastronomia não ficaram esquecidas, com a realização de Prova de Vinhos e a Feira de Artesanato com mostra de produtos regionais. O Festival das Aldeias Vinhateiras terá continuidade nos próximos anos.
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Os investimentos acima decritos têm devolvido a dignidade às povoações que, pelo valor arquitectónico e cultural que encerram, merecem no meu entender ser enquadradas num roteiro turístico, até pelo efeito multiplicador que isso possa causar.
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Pelo acima exposto julgo que a referência ao projecto "Aldeias Vinhateiras do Douro" no vosso portal, à semelhança do que é feito com as "Aldeias Históricas", dignificaria a região. É esta a minha sugestão e é esta a razão de ser desta exposição.
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Respeitosos cumprimentos,
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Ligações:
DouroNet - Portal Turístico do Douro: http://www.douronet.pt/

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Lalim - Arquitectura vernácula


Foto: Lalim -Lamego


Localizado em Lalim, concelho de Lamego, o espécime da figura comove pelas suas proporções, simplicidade e coerência de estilo.
Construção vernácula, adapta-se com naturalidade à topografia do terreno.
Usando materiais da região – granito e madeira, integra-se totalmente na paisagem. Os muros acabam por ser uma extensão da própria habitação, facilitando ainda mais essa integração.
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Pena é que muitas pessoas passem por ela todos os dias sem contudo a verem com olhos de ver, desconhecendo o seu valor patrimonial, cultural, etnológico e até antropológico.


Rafael Carvalho /Fev2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Boas Práticas - Univ. Aveiro e Câmara querem reabilitar centro histórico

O caso não se passa no Douro mas, como exemplo de boas práticas, fica o registo.
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Alunos e investigadores do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro (UA) têm vindo a colaborar com a Câmara Municipal de Aveiro (CMA) no estudo do edificado do centro histórico da cidade. O objectivo, através da análise dos edifícios, é promover a reabilitação do património como uma hipótese viável, sensibilizando assim potenciais intervenientes.
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De acordo com a UA, através destes estudos, pretende-se desenvolver técnicas e conhecer os materiais usados, permitindo assim a realização de obras económicas e eficazes. “Não se pode reabilitar sem conhecer o existente. Esse trabalho tem de ser feito com calma, paciência e sensibilidade”, afirma Aníbal Costa, um dos coordenadores desta parceria. “Hoje em dia não há tempo para parar e pensar, a construção civil é uma indústria”, prossegue.
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A colaboração entre a Universidade e a CMA tem-se processado de forma dinâmica: a autarquia alerta os investigadores acerca de oportunidades de estudo e requer pareceres, mas também acolhe propostas. Por exemplo, a edilidade requisitou o auxílio do Departamento de Engenharia Civil na reabilitação da cobertura da zona do altar da Sé de Aveiro e do Museu de Aveiro, ao mesmo tempo que proporcionou duas situações de demolição controlada, em 2007.
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“Através das demolições controladas, quando já não há alternativa, podemos obter muitos dados sobre o comportamento das construções”, esclarece Aníbal Costa. Estes estudos têm particular importância na medida em que as construções em causa eram parcialmente feitas de adobe, um elemento composto de terra e cal, que se estima fazer parte de 25 a 40 por cento dos edifícios do distrito. Como caiu entretanto em desuso, o que está em causa é o património da região.
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A autarquia acedeu também a que alunos da cadeira de Patologia das Construções (leccionada por Aníbal Costa) estudassem construções na zona da Avenida Lourenço Peixinho, avaliando-as. Dessa forma, ficam desde já disponíveis estudos sobre essas habitações, nomeadamente em termos de estruturas e materiais. Está também em desenvolvimento uma tese de Mestrado que irá juntar todos os dados recolhidos, de forma georeferenciada. No futuro, a investigação poderá dar origem a que no sítio da CMA se possam visualizar as fichas completas das casas.
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A execução destes trabalhos permite que facilmente sejam executados orçamentos de reabilitação, bem como reduzir enormemente o tempo gasto na fase de estudo. “O grande problema da reabilitação é que quando queremos estudar o edifício não se sabe nada sobre ele”, esclarece o Professor.
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O Departamento de Engenharia Civil tem, com esta actividade, produzido vários artigos científicos, nomeadamente sobre a resistência de materiais, ao mesmo tempo que cumpre o seu papel de relacionamento com a comunidade.
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2008/01/31

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Alto-Douro – onde as caleiras são fontes suspensas


Foto: Aldeia de Cima - Armamar
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Casebre a Soro? Claro que não!
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Com clima mediterrânico, os recursos hídricos do Alto-Douro não são muito abundantes.
A água, recurso raro, é indispensável à preparação dos sulfatos nos terrenos agrícolas. A sabedoria popular resolveu no Douro este problema há várias gerações, subvertendo o normal funcionamento das caleiras.
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Os casebres de apoio às actividades agrícolas possuem normalmente um tanque-cisterna no seu interior, alimentado pelas águas pluviais aí introduzidas através das caleiras.
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Bom exemplo de gestão de recursos é o facto dos lagares desocupados após as vindimas também servirem muitas vezes de reservatório, minimizando desta forma a escassez de água.
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Actualmente, noutros locais, com o armazenamento das águas pluviais a Arquitectura Sustentável reinventa este conceito.

Rafael Carvalho, Fev2008

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Lazarim - Reportagem TSF


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Ainda no rescaldo do Entrudo de Lazarim, apresento a reportagem que a TSF sobre este tema colocou no ar em 24 de Março de 2006.
Com a duração de aproximadamente 40 minutos, “Lazarim - A Alma do Entrudo” é uma grande reportagem de Manuel Vilas Boas com montagem e sonorização de João Félix.
Para ter acesso a esta reportagem, após clicar em http://www.tsf.pt/online/radio/dossiers/tsf/reportagemtsf/reportagem.html
procure “Lazarim – A Alma do Entrudo - 24Mar2006”´e seleccione "OUVIR PROGRAMA".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Património Perdido II - Lazarim


Foto: Lazarim - Lamego
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008.
A três dias do auge da Festa Carnavalesca, em Lazarim já se ouvem os chocalhos. Transportando varapaus e biforcados, envergando as diabólicas máscaras de madeira, vestidos a rigor com fatos garridos e esfarrapados os caretos surpreendem os turistas desprevenidos e as moças solteiras.
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Passeando pelas ruelas desta bela povoação, longe da animação que basicamente é feita em torno da praça central, entre tabiques, ardósias, madeiras, chapas garridamente pintadas e varandas suspensas, admiro os belos exemplares da arquitectura tradicional alto-duriense nela contidos.
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Paro para fotografar uma despretensiosa casa, revestida com negros soletos. Despertou-me a atenção pelo facto de apenas a fachada frontal do primeiro andar ser feita em tabique. Uma habitante segreda-me que o dito espécime em breve será demolido para dar lugar a uma garagem.
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Questiono-me: Que sonhos terão sido nela vividos? Quantas crianças terão espreitado amedrontados pelos vidros das janelas os diabos carnavalescos que na rua passavam?
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Lamentavelmente a semente renovadora das Aldeias Vinhateiras (Ucanha, Salzedas, Favaios, Barcos, Trevões) parece ainda não ter aqui chegado! Recuperando fachadas, coberturas e equipamentos públicos, o projecto Aldeias Vinhateiras devolveu a dignidade às povoações. Com o estabelecimento de uma Zona Especial de Protecção assegurou-se a salvaguarda do valor paisagístico e patrimonial, evitando a descaracterização na sequência das intervenções realizadas.
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Sinto um arrepio. Lazarim é a pátria dos caretos. Sem o seu habitat - ruas e ruelas, tabiques, ardósias, madeiras, chapas garridamente pintadas e varandas suspensas, o futuro adivinha-se negro para os caretos, figuras mitológicas no Douro, minha terra.

Rafael Carvalho / Fev2008

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Lazarim - Carnaval genuino


Foto: Lazarim - Carnaval 2008
De 2 a 5 de Fevereiro de 2008 visite Lazarim -Concelho de Lamego, onde os caretos saiem à rua numa manifestação única de encenações ancestrais.
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Fruto do trabalho minucioso de artesãos e gentes locais, fiéis a um passado comum, são elaborados de forma artesanal as máscaras e os trajes dos Caretos de Lazarim. São ainda preparados em segredo os testamentos, famosos pelo seu grau de malícia satírica, para serem lidos na Terça-Feira Gorda.
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Faça-se passear pelas ruelas da aldeia e aproveite para apreciar, em Lazarim, alguns dos mais belos exemplares da arquitectura tradicional alto-duriense. Tabiques, ardósias, rebocos a cal, madeiras, chapas garridamente pintadas, varandas suspensas, pedra e muita pedra ...
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Consulte o programa completo aqui.
Rafael Carvalho / Fev2008

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Pintar com Cal (I)


Foto: São João da Pesqueira
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A grande diversidade arquitectónica do Alto-Douro implica o recurso a diferentes e multi-coloridos revestimentos de fachada. Associado ao tabique temos a telha, a chapa zincada e os soletos de ardósia. As fachadas, principalmente ao nível do rés-do-chão, podem surgir ainda com a pedra à vista.
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Longe da globalizada utilização que lhe é dada no sul do país, a pintura a cal contudo não deixa de assumir uma grande importância na região alto-duriense, contribuindo para a diversidade arquitectónica:
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· Sobre um fundo rebocado, a cal ocupa praticamente todas as fachadas de igrejas, capelas e casas nobres, contribuindo desta forma para destacar o granito dos cunhais e guarnições de portas e janelas;
· Não raras vezes a pedra é directamente caiada, criando uma textura com um excepcional efeito decorativo;
· O próprio tabique com que são construídas muitas das paredes exteriores do primeiro andar surge por vezes rebocado e caiado;
· Nalguns casos os telhados são caiados integralmente ou apenas em faixas, demarcando a estrutura de madeira que os suporta, permitindo desta forma percorrê-los de forma mais segura aquando das reparações. A cal desinfecta e favorece o arrefecimento da casa no verão;
· À imagem da quinta duriense associa-se o branco ou o ocre das suas paredes, sendo que o ocre não passa de cal combinada com um pigmento ferroso;
· Assumindo uma posição de destaque sobre um fundo caiado, visível por vezes na encosta a diversos quilómetros de distância, integrado na fachada de um dos edifícios ou num dos seus muros, surge frequentemente escrita em letras garrafais a denominação da quinta que se observa.
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No Douro, a mistura das cascas das uvas após a sua retirada do lagar, na altura da hidratação da cal, dota a Cal de uma cor fortemente escura, vermelha tinta, que após a decantação, produz ora uma argamassa ora uma tinta de caiação de cor púrpura. Talvez seja essa a origem da cor do belo edifício púrpura, na Praça da Republica - S. João Pesqueira, ou mesmo do antigo edifício da Real Companhia Velha, na cidade do Peso da Régua.

Rafael Carvalho / Fev2008