quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Sortelha é cenário de filme das sopas da Knorr


Foto extraída de http://picasaweb.google.pt/jansura/PortugalPartII
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Arrancou este mês a campanha da Knorr para apresentar “A Melhor Sopa do Mundo”. Esta campanha foi integralmente filmada na aldeia histórica de Sortelha (Beira), e conta com a participação de habitantes locais.
Não é minha intenção passar aqui qualquer tipo de publicidade. Quero tão somente referir que esta campanha, uma espécie de regresso às origens, é a prova de que o património tradicional vende tendo por isso um valor económico que deve ser promovido, explorado e rentabilizado.
Assinada pela JWT, a campanha é desenvolvida na televisão, outdoor, imprensa e internet.
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Rafael Carvalho / Fev2008
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Fica aqui a hiperligação para o vídeo da campanha, presente no YouTube:



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Pintar com Cal (II)


Foto: Leomil - Moimenta da Beira
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Para que a tradição da pintura a cal se mantenha, aqui fica uma receita para
Produzir Cal Hidratada com Óleo (e eventualmente outros aditivos):
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«As proporções correctas de Cal, Aditivo (óleo) e Água são:
Para cada 25 Kg de Cal Viva:
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· 1,5 Kg de aditivo (óleo)
· 10 Litros de água (aprox. 2 regadores)
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Equipamento necessário:
· Luvas para protecção das mãos
· Mascara para protecção das vias respiratórias
· Óculos para protecção dos olhos
· Estância de madeira (tabuleiro de madeira com cerca de 12 cm de borda, em que as tábuas do fundo estão justapostas sem permitir fugas de líquido, montado sobre pernas a cerca de 90 cm de altura)
· Ancinho de dentes apertados e cabo de cerca de 1,60 m
· Regador de aprox. 5 litos de capacidade
· Cal Viva de boa qualidade (em pedra, não em pó)
· Aditivo (sebo de carneiro, óleo de linhaça, borra de azeite ...)
· Água doce e potável isenta de salinidades
· Aditivo (corante, pigmento...)
Antes de iniciar qualquer procedimento, é indispensável proteger-se com o equipamento recomendado: a reacção química da Cal pode deixar marcas para toda a vida, causar queimaduras e dores intensas e, mesmo, cegueira. Sem ser um processo perigoso, pois desde que se conheçam os riscos, evitam-se acidentes com facilidade, recomenda-se que não se facilite no aspecto da segurança pessoal.
Não realizar o processo com crianças pequenas nas proximidades.
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Método de Produção:
1. Proteger-se com os equipamentos de protecção individual
2. Colocar a Cal partida em pedras de pequena dimensão na estância, de forma espalhada e uniforme, com o ancinho
3. Colocar o aditivo um pouco por toda a estância em pequenas quantidades
4. Com o ancinho, misturar homogeneamente a Cal com o aditivo
5. Com o regador, molhar lenta e cuidadosamente utilizando o primeiro regador cheio.
Atenção: neste momento, a Cal fará reacção, soltando muitos vapores e atingirá temperaturas elevadas, da ordem dos 300ºC, com pequenas explosões. Esta é a fase mais perigosa do processo. Proteja-se dos eventuais salpicos motivados pelas pequenas explosões e não inale os gases libertados.
6. Com a ajuda do ancinho, com precaução, vai-se misturando bem toda a Cal, para que a reacção seja homogénea e toda ela seja envolvida em água e aditivo. No caso de o aditivo ser sólido (sebo) com o calor libertado ele derrete-se e mistura-se no conjunto.
7. Esta etapa demora cerca de 20 minutos até que todo o fumo desapareça quase completamente.
8. O segundo regador de água deve ser despejado em duas ou três vezes, de forma lenta, para que desta forma se controle melhor a hidratação da Cal e a sua trasnformação em pó fino. Com o ancinho se garantirá que todos os “torrões” de cal sejam desfeitos. A água deve ser deitada sempre que o fumo diminua acentuadamente.
9. As pedras de Cal que se não desfaçam, significam que a Cal Viva não seria da melhor qualidade, e devem ser retiradas. Se a Cal for de excelente qualidade praticamente não restarão pedras por desfazer (pederneiras).
Do processo resta pó ou pasta que se deve crivar para outro recipiente através de uma malha metálica fina, para que nenhuma pedra ou impureza faça parte do resultado final.
Este pó ou pasta é de granulometria muito fina e de grande qualidade, tornando qualquerargamassa muito compacta e pouco porosa.
A Cal hidratada em pó que se vende no mercado já pronta, e que ao tacto se nota ser mais granulosa, não oferece esta qualidade porque quanto mais fino for o ligante, mais fina será a argamassa.
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Nota:
A Cal hidratada com óleo necessita de estar misturada com os inertes para se dissolver na água. Por isso, não se pode obter leite de cal e pasta de cal com esta Cal tal como se obtém com a Cal simplesmente hidratada comum, que é solúvel na água.
(…)

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Pigmentos Naturais para Argamassas de Cal:
Oxido de Ferro: amarelo, ocre, vermelho, castanho ou preto
Oxido de Crómio: Verde
Óxido de Cobalto: Azul
Outros produtos: Figos, Cascas de Uva, etc.
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Tintas de Cal:
Proceder de forma exacta quanto à hidratação de Cal normal, apenas juntando mais água, para que o leite de cal no final seja fluido e fácil de aplicar com pincel ou brocha de caiar.
Aditivar, ou não, os pigmentos para obter a cor desejada.
Notar que este tipo de tinta é de difícil afinação quanto à cor, contrariamente às tintas industriais, pelo que convém medir a superfície a pintar e produzir, de apenas uma vez a quantidade necessária, pois é preferível que sobre do que falte, pois faltando, o pedaço que se produza para colmatar a falta necessariamente será de matiz diverso, notando-se o remendo.
Curiosamente, o maior inimigo da Cal, é a pressa, e não o tempo.»
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Extraído de http://www.jlu.pt/downloads/NORMA_CAL.pdf

sábado, 23 de fevereiro de 2008

No Douro Atlântico - Cavaco Silva em Quintandona


Foto: Quintandona, Penafiel.
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O Presidente da República, Cavaco Silva, visitou ontem Sexta-feira a aldeia histórica de Quintandona, concelho de Penafiel, um exemplo de preservação entre as 36 "Aldeias de Portugal".
É a segunda vez que Cavaco Silva visita esta aldeia, destino rural singular, exemplar na preservação do passado, cultura e costumes populares.
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O actual lugar de Quintandona, referido nas Inquirições de Afonso III (1258) sob a designação de "Quintana donega", tem 64 habitantes, com uma média de idades de 34 anos. Dispensando os ATL’s, a ausência de trânsito automóvel e a calma que reina nesta povoação permite que as crianças brinquem sozinhas na rua até ao anoitecer.
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Através da medida Agris do Programa Operacional da Região Norte, a Câmara Municipal de Penafiel efectuou em Quintandona intervenções no espaço público (abastecimento de água e saneamento básico, electricidade, telefones, construção de passeios e zonas de lazer). Foram também intervencionadas habitações privadas, embora algumas tenham sido recuperadas pelos próprios proprietários.
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Na ausência de qualquer elemento de carácter dissonante, utilizando o xisto, o granito, a ardósia e a madeira como materiais de construção, o núcleo da aldeia é exclusivamente constituído por habitações de traça tradicional, no seio de alguns equipamentos públicos (tanque, fontenário, …) outros ligados à produção (espigueiros, eiras,…) e construções de índole religiosa (capela, cruzeiro, …).
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Penafiel está de parabéns! Quintandona é um bom exemplo a seguir...
Rafael Carvalho, Fev2008

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Expresso - A casa tradicional Portuguesa




Na pesquisa que vou desenvolvendo no âmbito das temáticas “Arquitectura Popular”, “Arquitectura sustentável”, “Bioconstrução”, "Urbanismo", entre outras, vários são os documentos encontrados cuja qualidade justifica a sua partilha.
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Com a chancela do "Jornal Expresso", usando de um agradável grafismo, os documentos que hoje pretendo partilhar dão relevo à diversidade arquitectónica do nosso país.
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Basta clicar:
. Casas do Norte (pdf)
. Casas do Sul (pdf)
. Casas das Ilhas (pdf)

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Carta aberta ao DouroNet - Portal Turístico do Douro


Foto: Ucanha - Tarouca
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Ex.mos Senhores
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Desde já as minhas felicitações pela promoção que fazem à região do Douro. Escrevo na qualidade de visitante assíduo do vosso Portal e é como tal que avanço com uma sugestão.
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Lançado em 2001, no âmbito da Acção Integrada de Base Territorial do Douro, o programa “Aldeias Vinhateiras” tem como objectivo principal a criação de uma dinâmica de regeneração e valorização das Aldeias do Douro Vinhateiro, através da revitalização socio-económica, da fixação da população e do reforço da promoção turística do Douro.
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Nas povoações aderentes, (Ucanha, Salzedas, Barcos, Provesende, Favaios, Trevões), procedeu-se à requalificação de espaços públicos (pavimentação, dotação e/ou remodelação de infra-estruturas básicas, colocação de mobiliário urbano), reabilitação dos edifícios sede das Juntas de Freguesia, melhoria de acessibilidades - e na intervenção no domínio “privado” - reabilitação/recuperação de fachadas e coberturas de edifícios particulares confinantes com a zona pública.
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Durante o ano de 2007 o Festival das Aldeias Vinhateiras ofereceu a primeira oportunidade para se conhecer e desfrutar as Aldeias. Durante seis fins-de-semana, nos meses de Setembro a Outubro, espectáculos de marionetas, de clown, de teatro, de música e de dança invadiram as Aldeias Vinhateiras valorizando a sua riqueza cultural, monumental, histórica e paisagística. As adegas tradicionais, os vinhos e a gastronomia não ficaram esquecidas, com a realização de Prova de Vinhos e a Feira de Artesanato com mostra de produtos regionais. O Festival das Aldeias Vinhateiras terá continuidade nos próximos anos.
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Os investimentos acima decritos têm devolvido a dignidade às povoações que, pelo valor arquitectónico e cultural que encerram, merecem no meu entender ser enquadradas num roteiro turístico, até pelo efeito multiplicador que isso possa causar.
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Pelo acima exposto julgo que a referência ao projecto "Aldeias Vinhateiras do Douro" no vosso portal, à semelhança do que é feito com as "Aldeias Históricas", dignificaria a região. É esta a minha sugestão e é esta a razão de ser desta exposição.
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Respeitosos cumprimentos,
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Ligações:
DouroNet - Portal Turístico do Douro: http://www.douronet.pt/

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Lalim - Arquitectura vernácula


Foto: Lalim -Lamego


Localizado em Lalim, concelho de Lamego, o espécime da figura comove pelas suas proporções, simplicidade e coerência de estilo.
Construção vernácula, adapta-se com naturalidade à topografia do terreno.
Usando materiais da região – granito e madeira, integra-se totalmente na paisagem. Os muros acabam por ser uma extensão da própria habitação, facilitando ainda mais essa integração.
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Pena é que muitas pessoas passem por ela todos os dias sem contudo a verem com olhos de ver, desconhecendo o seu valor patrimonial, cultural, etnológico e até antropológico.


Rafael Carvalho /Fev2008

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Boas Práticas - Univ. Aveiro e Câmara querem reabilitar centro histórico

O caso não se passa no Douro mas, como exemplo de boas práticas, fica o registo.
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Alunos e investigadores do Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro (UA) têm vindo a colaborar com a Câmara Municipal de Aveiro (CMA) no estudo do edificado do centro histórico da cidade. O objectivo, através da análise dos edifícios, é promover a reabilitação do património como uma hipótese viável, sensibilizando assim potenciais intervenientes.
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De acordo com a UA, através destes estudos, pretende-se desenvolver técnicas e conhecer os materiais usados, permitindo assim a realização de obras económicas e eficazes. “Não se pode reabilitar sem conhecer o existente. Esse trabalho tem de ser feito com calma, paciência e sensibilidade”, afirma Aníbal Costa, um dos coordenadores desta parceria. “Hoje em dia não há tempo para parar e pensar, a construção civil é uma indústria”, prossegue.
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A colaboração entre a Universidade e a CMA tem-se processado de forma dinâmica: a autarquia alerta os investigadores acerca de oportunidades de estudo e requer pareceres, mas também acolhe propostas. Por exemplo, a edilidade requisitou o auxílio do Departamento de Engenharia Civil na reabilitação da cobertura da zona do altar da Sé de Aveiro e do Museu de Aveiro, ao mesmo tempo que proporcionou duas situações de demolição controlada, em 2007.
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“Através das demolições controladas, quando já não há alternativa, podemos obter muitos dados sobre o comportamento das construções”, esclarece Aníbal Costa. Estes estudos têm particular importância na medida em que as construções em causa eram parcialmente feitas de adobe, um elemento composto de terra e cal, que se estima fazer parte de 25 a 40 por cento dos edifícios do distrito. Como caiu entretanto em desuso, o que está em causa é o património da região.
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A autarquia acedeu também a que alunos da cadeira de Patologia das Construções (leccionada por Aníbal Costa) estudassem construções na zona da Avenida Lourenço Peixinho, avaliando-as. Dessa forma, ficam desde já disponíveis estudos sobre essas habitações, nomeadamente em termos de estruturas e materiais. Está também em desenvolvimento uma tese de Mestrado que irá juntar todos os dados recolhidos, de forma georeferenciada. No futuro, a investigação poderá dar origem a que no sítio da CMA se possam visualizar as fichas completas das casas.
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A execução destes trabalhos permite que facilmente sejam executados orçamentos de reabilitação, bem como reduzir enormemente o tempo gasto na fase de estudo. “O grande problema da reabilitação é que quando queremos estudar o edifício não se sabe nada sobre ele”, esclarece o Professor.
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O Departamento de Engenharia Civil tem, com esta actividade, produzido vários artigos científicos, nomeadamente sobre a resistência de materiais, ao mesmo tempo que cumpre o seu papel de relacionamento com a comunidade.
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2008/01/31

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Alto-Douro – onde as caleiras são fontes suspensas


Foto: Aldeia de Cima - Armamar
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Casebre a Soro? Claro que não!
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Com clima mediterrânico, os recursos hídricos do Alto-Douro não são muito abundantes.
A água, recurso raro, é indispensável à preparação dos sulfatos nos terrenos agrícolas. A sabedoria popular resolveu no Douro este problema há várias gerações, subvertendo o normal funcionamento das caleiras.
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Os casebres de apoio às actividades agrícolas possuem normalmente um tanque-cisterna no seu interior, alimentado pelas águas pluviais aí introduzidas através das caleiras.
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Bom exemplo de gestão de recursos é o facto dos lagares desocupados após as vindimas também servirem muitas vezes de reservatório, minimizando desta forma a escassez de água.
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Actualmente, noutros locais, com o armazenamento das águas pluviais a Arquitectura Sustentável reinventa este conceito.

Rafael Carvalho, Fev2008

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Lazarim - Reportagem TSF


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Ainda no rescaldo do Entrudo de Lazarim, apresento a reportagem que a TSF sobre este tema colocou no ar em 24 de Março de 2006.
Com a duração de aproximadamente 40 minutos, “Lazarim - A Alma do Entrudo” é uma grande reportagem de Manuel Vilas Boas com montagem e sonorização de João Félix.
Para ter acesso a esta reportagem, após clicar em http://www.tsf.pt/online/radio/dossiers/tsf/reportagemtsf/reportagem.html
procure “Lazarim – A Alma do Entrudo - 24Mar2006”´e seleccione "OUVIR PROGRAMA".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Património Perdido II - Lazarim


Foto: Lazarim - Lamego
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Sábado, 2 de Fevereiro de 2008.
A três dias do auge da Festa Carnavalesca, em Lazarim já se ouvem os chocalhos. Transportando varapaus e biforcados, envergando as diabólicas máscaras de madeira, vestidos a rigor com fatos garridos e esfarrapados os caretos surpreendem os turistas desprevenidos e as moças solteiras.
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Passeando pelas ruelas desta bela povoação, longe da animação que basicamente é feita em torno da praça central, entre tabiques, ardósias, madeiras, chapas garridamente pintadas e varandas suspensas, admiro os belos exemplares da arquitectura tradicional alto-duriense nela contidos.
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Paro para fotografar uma despretensiosa casa, revestida com negros soletos. Despertou-me a atenção pelo facto de apenas a fachada frontal do primeiro andar ser feita em tabique. Uma habitante segreda-me que o dito espécime em breve será demolido para dar lugar a uma garagem.
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Questiono-me: Que sonhos terão sido nela vividos? Quantas crianças terão espreitado amedrontados pelos vidros das janelas os diabos carnavalescos que na rua passavam?
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Lamentavelmente a semente renovadora das Aldeias Vinhateiras (Ucanha, Salzedas, Favaios, Barcos, Trevões) parece ainda não ter aqui chegado! Recuperando fachadas, coberturas e equipamentos públicos, o projecto Aldeias Vinhateiras devolveu a dignidade às povoações. Com o estabelecimento de uma Zona Especial de Protecção assegurou-se a salvaguarda do valor paisagístico e patrimonial, evitando a descaracterização na sequência das intervenções realizadas.
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Sinto um arrepio. Lazarim é a pátria dos caretos. Sem o seu habitat - ruas e ruelas, tabiques, ardósias, madeiras, chapas garridamente pintadas e varandas suspensas, o futuro adivinha-se negro para os caretos, figuras mitológicas no Douro, minha terra.

Rafael Carvalho / Fev2008