quarta-feira, 30 de abril de 2008

Tradição


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Tradição é tudo o que uma geração herda das suas precedentes e lega às seguintes...
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Rafael Carvalho /Abr2008

domingo, 27 de abril de 2008

Trapeira envidraçada


Foto: Cambres - Lamego
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Assente no prolongamento dos barrotes do soalho do sótão, coadjuvado por seis escoras metálicas, a admirável trapeira da figura é o que se pode chamar um “dois em um”.
"Dois em um" porque é trapeira e simultaneamente varanda envidraçada, único exemplar do género no universo do meu conhecimento.
Integrado numa quinta bem no centro de Cambres, desafiando aparentemente a lei da gravidade, este espécime deve a sua existência à leveza da arquitectura do tabique.
É fácil imaginar quão aconchegante será o seu interior, no final de uma fria mas ensolarada tarde de Inverno.
Sabedora essa, a centenária arte popular...
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Rafael Carvalho/Abr2008

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Inventário do Património Imóvel dos Açores



Coordenado por Jorge A. Paulus Bruno, o “Inventário do Património Imóvel dos Açores” foi lançado e financiado pela Direcção Regional da Cultura. A execução do projecto está a cargo do Instituto Açoriano de Cultura.
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São inventariados espécimes de diferentes ilhas e épocas (do Séc. XV ao Séc. XXI):
- conjuntos edificados;
- construções utilitárias (agrária, piscatória e de produção artesanal, industrial, aquedutos e pontes, estradas e mirantes, elementos isolados ou pontuais);
- edifícios isolados (Arquitectura doméstica, pública civil, religiosa, militar);
- unidades paisagísticas construídas;
- vestígios arqueológicos.
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Acompanhado com uma “ficha de caracterização” que o descreve, cada espécime é localizado na Carta militar do Instituto Geográfico do Exército.
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O “Inventário do Património Imóvel dos Açores” é um projecto de excelência. Usando a Net como plataforma democratiza o acesso à informação, tornando-a acessível a todos.
Pena é que não exista um empreendimento análogo de âmbito nacional!…
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Rafael Carvalho / Fev2008
Para aceder ao “Inventário do Património Imóvel dos Açores” clique aqui.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

“Tesouros de Xisto” - uma Reportagem TSF


Foto extraída de
http://www.aldeiasdoxisto.pt/aldeia/3/5/101
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“As Aldeias do Xisto foram consideradas uma das três melhores «Viagens Descoberta 2008», pela revista alemã Geo Saison. Entre Coimbra e Castelo Branco, uma rede de 24 aldeias guarda memórias e tradições únicas.
A TSF meteu-se ao caminho. Percorremos 1300 quilómetros, entre giesta e urze, e visitámos oito aldeias, pelas serras do Açor, Lousã e Gardunha. Descobrimos um sino que, uma vez por ano, toca duas horas seguidas e apanhámos ouro no Ocreza. Falámos com velhos e novos habitantes, vimos veados e fomos ao bodo a Janeiro de Cima onde, na festa anual, a comida é oferecida a quem aparece.”
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Dedicado às “Aldeias de Xisto” e emitido para o ar no dia 11 de Abril, eis as palavras de apresentação da reportagem TSF “Tesouros de Xisto”. Com a duração de 38 minutos, é uma grande reportagem de João Morais com montagem e sonorização de Herlander Rui. O programa completo poderá ser escutado na íntegra aqui.
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Mais informações sobre as Aldeias de Xisto em
Rafael Carvalho / Abr2008

sexta-feira, 18 de abril de 2008

O adorno na Arquitectura D'Ouro


Foto: Ucanha, Tarouca
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A arquitectura tradicional, à semelhança de muita outra que não o é, é de carácter eminentemente funcional.
O carácter funcional da arquitectura tradicional torna-a despojada de adornos.
No Douro, os poucos adornos que existem surgem normalmente isolados. Estes motivos não põem por isso em causa a simplicidade dos modelos arquitectónicos, uma vez que não constituem um fim em si mesmo. Neste contexto o adorno humaniza o modelo, acentua proporções e valoriza as suas superfícies.
São exemplos de adornos os pináculos à entrada dos quinteiros bem como os balaústres em madeira das varandas, recortados segundo motivos geométricos. Não raras vezes, a data de construção dos edifícios inscrita na padieira das portas surge decorada. Frequentes são os caracóis petrificados no remate das escadas do acesso ao alpendre do primeiro andar de algumas casas. E o que dizer das cortinas rendadas nalgumas janelas, inspiradas em motivos animais e vegetais, geométricos, envolvendo rotações, simetrias e translações, provando que as noções Matemáticas não são exclusivas das classes culturalmente favorecidas? Também geométricos são os motivos presentes em algumas das gelosias de madeira. As clarabóias, presentes sobretudo em meio urbano, exibem muitas das vezes um laborioso trabalho em ferro forjado, também presente em cata-ventos. Suportando vasos floridos, os poiais em pedra alegram as janelas. Típicos do Douro são os caibros em madeira esculpidos, que suportam o beiral de muitos telhados.
Estes modestos e ingénuos acessórios da arquitectura popular dão alegria e encanto, contribuindo para afirmar e individualizar a arquitectura regional.
Provam também que independentemente do espaço, do tempo e das condições económicas, a apetência para a beleza é inerente à condição humana.
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Rafael Carvalho / Mar2008

terça-feira, 15 de abril de 2008

«Arquitectura Popular Portuguesa» em Selo 1/20

A Casa Minhota – Selo 1 de 20 1986.08.20 - Viana do Castelo - Postal-Máximo obtido aqui + + A Arquitectura Popular está directamente ligada ao meio ambiente e assim, também em Portugal, de região para região se podem apontar características arquitectónicas específicas. +
Desenhado por José Luís Tinoco, este selo posto a circular a 20 de Agosto de 1985 retrata uma alegre e funcional casa de lavoura minhota, centro de vida agrícola.
Rafael Carvalho / Abr2008

sábado, 12 de abril de 2008

Petição pelo Tua


Arquitectura: "Arte de edificar ou traçar planos para construção de edifícios com alguma qualidade estética" - in Dicionário de Língua Portuguesa; 6ª Edição - Porto Editora.
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A boa Arquitectura consegue ter alguma indepedência relativamente ao meio circundante. Porém, quando o casamento entre a Arquitectura e o meio é perfeito, surge a cereja no topo do bolo...
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Arquitectura, Património, Floresta, Biodiversidade…
Rio Tua, fonte de orgulho. Salvemos o que é nosso!
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Assine aqui a “Petição pela Linha do Tua VIVA”.
Mais informações sobre o Tua clicando aqui.
Rafael Carvalho / Abr2008

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Tabique: modalidades de revestimento


Foto: Lamego
A presente fotografia revela uma feliz coincidência, uma vez que numa só imagem é possível apresentar os quatro tipos de revestimentos associados às paredes de tabique alto-duriense:
- tabique rebocado, nos dois últimos andares da casa da esquerda;
- tabique revestido a chapa, na fachada dos dois últimos andares da casa do centro;
- tabique revestido a telha cerâmica, na parede lateral dos dois últimos andares da casa do centro;
- tabique revestido a soletos de ardósia, na fachada do último andar da casa da direita.
Rafael Carvalho/Abr2008

domingo, 6 de abril de 2008

S. Pedro do Sul: Habitantes de Covas do Monte assistem em primeira mão a documentário onde são protagonistas


Foto extraída de http://www.criaraizes-spedrosul.com/site/untitled/eco.htm
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Viseu, 05 Abr (Lusa) - «Os habitantes da pequena aldeia de Covas do Monte, situada num "buraco" da serra, no concelho de S. Pedro do Sul, assistem hoje à estreia do documentário "Névoa no Vale", do qual são os protagonistas.
O documentário, com estreia marcada para o final da tarde de hoje, na antiga escola primária de Covas do Monte, foi realizado por Victor Salvador, e, à semelhança do seu anterior trabalho "Almas de uma terra", sobre os comerciantes do Mercado do Bolhão (Porto), pretendeu captar a genuinidade dos seus habitantes.
Em Covas do Monte, os pouco mais de cinquenta habitantes convivem diariamente com 2.300 cabras, o que dá um ambiente singular à aldeia, que tem tentado lutar contra a desertificação, apesar do isolamento em que vive.
"Neste filme pretendo captar toda a vivência das poucas pessoas que habitam esta aldeia isolada e cravada na serra. Terra de lendas que se perdem no tempo, de sofrimentos e dificuldades, a que o isolamento a que está prostrada muito contribuiu", justifica o realizador.
Na sua opinião, estas pessoas "terão algo a dizer ao mundo exterior", onde a vida é "intensa e stressante, onde o tempo não é o mesmo que envolve" o vale de Covas do Monte.
Após quatro meses de filmagens e o trabalho de edição, "Névoa no Vale" está pronto para "dar a conhecer a realidade de uma aldeia que procura fugir à desertificação".
Segundo Victor Salvador, "foram momentos de grande intensidade emocional" para toda a equipa, que conheceu "pessoas extraordinárias, simples na sua vida diária, mas incrivelmente ricas nos valores humanos".
"O meu desejo é que este filme sirva para chamar a atenção de que neste Portugal temos algo de imensamente rico: a nossa cultura, as nossas tradições, as nossas gentes", frisou, fazendo votos para que seja "uma pedra na engrenagem acelerada da desertificação".
Como forma de reconhecimento do empenho destas pessoas no documentário, o realizador decidiu estreá-lo precisamente na aldeia.
A equipa de Victor Salvador contou com o apoio do Projecto Criar Raízes, de S. Pedro do Sul, que, juntamente com o Instituto das Comunidades Educativas, tem trabalhado para criar em Covas do Monte pontos de interesse económico, cultural e ambiental que lhe permitam sobreviver à desertificação.
Covas do Monte vive sobretudo da pastorícia, com a ajuda dos subsídios comunitários que levaram ao aumento do número de cabras que, ao início da manhã e ao final da tarde, invadem as ruas da aldeia.
As cabras são pastoreadas de forma colectiva, cabendo normalmente a dois "pobreiros" (nome dado na aldeia aos pastores) em cada dia a tarefa de subir os montes íngremes para as orientar, na qual até os mais idosos participam.
Esta realidade singular levou o Projecto Criar Raízes a, no ano passado, ter criado a Rota do Pobreiro, permitindo a queira subir aos montes com os pastores e com eles passar o dia.»

AMF.
Lusa/fim

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Casebre, mas D'Ouro!


Foto: Aldeia de Cima, Armamar
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Honra seja feita aos modestos barracões agrícolas que um pouco por todo o Douro têm contribuído para que esta terra possa parir o Vinho mais famoso do mundo.
Estes casebres, de tal forma enquadrados na paisagem que chegam a passar despercebidos, cumprem a função para a qual foram construídos há dezenas ou mesmo há centenas de anos.
De uma simplicidade comovente, construídos em xisto, eventualmente com os cunhais e molduras da porta em granito, são normalmente de uma única água, também os havendo contudo de duas.
Servem para guardar as alfaias agrícolas.
Nestes casebres, a água da chuva que é recolhida nas caleiras alimenta um tanque-cisterna presente no seu interior. É com esta água que se preparara o sulfato, indispensável ao tratamento das videiras.
Sobre a porta de entrada, único vão, surge com alguma frequência uma videira que poderá mesmo formar uma ramada, fonte de sombra nos intervalos de trabalho e na hora da bucha.
Entaladas entre as pedras das suas paredes, não raras vezes são encontradas velhas e gastas ferraduras, vestígios do tempo em que os burros, machos e mulas eram indispensáveis aos trabalhos agrícolas.
Rafael Carvalho / Fev2008