sexta-feira, 30 de maio de 2008

Portas singulares…


Foto: Armamar
Os elementos da fotografia foram postos a descoberto na porta duma casa datada de 1908, actualmente em fase de recuperação, localizada junto ao edifício da Câmara Municipal de Armamar.
A imagem lembra-nos como pequenos pormenores tornam singular o lar em que se inserem.
Rafael Carvalho / Mai2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

«Arquitectura Popular Portuguesa» em Selo -3/20

O Sítio Algarvio – Selo 3 de 20
Vila Nova de Cacela - 1986.02.24 - Postal-Máximo obtido aqui
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A Arquitectura Popular está directamente ligada ao meio ambiente e assim, também em Portugal, de região para região se podem apontar características arquitectónicas específicas.
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Desenhado por José Luís Tinoco, este selo posto a circular a 20 de Agosto de 1985 retrata, sob influência mourisca, o Sitio Algarvio, de formas austeras mas com delicados trabalhos nas suas chaminés e guarnições.
Rafael Carvalho / Mai2008

sábado, 24 de maio de 2008

SOS Bairro da Ponte



Foto: Bairro da Ponte, Lamego.
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Chamem-lhe Polis ou outra coisa qualquer, mas, por favor, alguém faça alguma coisa pelo Bairro da Ponte.
Localizado em Lamego, o Bairro da Ponte é no Alto-Douro um dos principais núcleos habitacionais de carácter vernáculo. Corre o risco de se perder pelo abandono a que está sujeito.
Rafael Carvalho / Mai2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Entre-os-Rios, uma pérola no Douro Atlântico


Foto: Entre-os-Rios, Penafiel
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Localizada entre os Rios Tâmega e Douro, na foz do primeiro (daí o seu nome), Entre-os-Rios, outrora "Inter Ambos Ribulos", é certamente uma das povoações do Douro ribeirinho melhor preservadas.
Entre-os-Rios foi durante muito tempo um grande centro de captura e venda de sável e lampreia. Se a captura já não se faz porque a barragem de Carrapatelo não deixa subir o peixe, a venda ainda se mantém junto às estradas. Também os restaurantes em Entre-os-Rios continuam a ser verdadeiros centros de peregrinação gastronómica.
No núcleo principal desta localidade, o casario dispõe-se ao longo de uma estreita e simpática ruela que convida a um agradável passeio pedestre. Mesmo para os menos informados, a ausência, entre as habitações, de elementos dissonantes, transmite-nos a sensação de harmonia, verdadeira arquitectoterapia.
O movimento associado ao comércio tradicional está lá. As crianças brincando na rua também.
Os edifícios têm na sua maioria dois a três pisos, servindo o primeiro normalmente de armazém (as chamadas lojas).
Os elementos arquitectónicos aqui presentes são ricos e variados: varandas recuadas ou salientes, com gradeamento em ferro ou em madeira, por vezes múltiplas varandas; alpendres a que se acessa por uma escada exterior em granito; casas-passadiço; poiais nas janelas para colocação de vasos; portas com ou sem cancela contendo postigos, gradeados ou não, recortados segundo figuras geométricas – círculos, losangos, estrelas, …; trapeiras e mirantes; alminhas; cruzeiros; capelas.
O material de construção das paredes exteriores é por norma o granito. O granito aqui é geralmente caiado de branco ou ocre, sem a intervenção de rebocos, o que pelas texturas criadas gera um excelente efeito estético. Não raras vezes o rodapé das casas surge caiado com pigmentos cinzentos. Algumas casas (poucas) são revestidas a azulejo.
Protegido por soletos de ardósia ou por chapas pintadas, o tabique também está presente em Entre-os-Rios nos andares superiores de algumas habitações.
Junto ao largo Doutor Baltar recentemente requalificado, as casas mantêm inscritas nas paredes as datas das grandes cheias do século passado, assinaladas nas respectivas cotas. Na margem daquele que é um dos rios com maior caudal de cheia da Europa, por incrível que pareça algumas casas ostentam marcas no topo do segundo andar, como as que se referem à cheia de 3-2-1962.
Para servir os Turistas, evidentemente bem-vindos, em Entre-os-Rios a margem do rio foi recentemente intervencionada para criar um cais de acostagem para navios de grande porte, ocupando uma antiga praia onde no verão os locais iam a banhos. O cais é certamente uma mais-valia, porém a ligação ao rio não pode ser quebrada. Felizmente, havendo vontade para isso, ainda existe a possibilidade de repor a praia numa das orlas laterais do cais.
A Câmara Municipal de Penafiel, no seu sítio na internet, anuncia para breve obras de requalificação em Entre-os-Rios, à semelhança do que já fez em Cabroelo e Quintandona. É sem sombra de dúvida uma boa notícia, exemplo a seguir.
Rafael Carvalho / Mai2008

domingo, 18 de maio de 2008

Orquídeas Selvagens no Douro


Foto: Pai Calvo, Armamar
Com este artigo abro uma nova etiqueta, desta feita dedicada ao NOSSO Património Natural. Reforço a palavra NOSSO, porque só o verdadeiro sentimento de pertença cria condições para a sua preservação.
E que responsabilidade temos nós portugueses a este nível!..
Sabia que Portugal é o país Europeu com maior biodiversidade?
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O título que encabeça este artigo faz referência à orquídea selvagem. Sem alterar o seu sentido, o termo selvagem poderia ser substituído por espontânea, autóctone, nativa, indígena, em oposição à orquídea cultivada, oriunda de outros climas e ambientes.
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Quanto ao espécime da imagem, capturada pela objectiva no início do mês de Maio trata-se da orquídea Orchis morio. Distribui-se por grande parte Europa até ao Cáucaso, surge ainda no Oeste Asiático e no Norte de África. No Douro aparece dispersa em muitos dos matagais mediterrânicos aí presentes. Ocasionalmente, em terrenos agrícolas abandonados forma verdadeiros prados.
A Orchis morio, conhecida popularmente por Erva-do-sapelo; Erva-do-salepo-de-tubérculos-dependurados ou ainda Testículo-de-cão, é uma das sessenta e cinco espécies de orquídeas existentes em Portugal.
Rafael Carvalho / Mai2008
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Saiba mais em:

quinta-feira, 15 de maio de 2008

As maias, o burro e o Menino Jesus.


Foto: Pias, Cinfães
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No Norte do país, e no Douro não é excepção, existe uma velha tradição de suspender maias na entrada das casas de 30 de Abril para 1 de Maio. Comenta-se que nessa noite anda o burro à solta disposto a entrar na casa dos incautos, disposto a morder em quem se lhe atravesse no caminho. Parece que a besta, entidade maléfica, foge das maias floridas como o diabo da cruz, daí a tradição.
Este ritual terá tido origem pagã, ligado à celebração da Primavera e ao início de um novo ano agrícola.
Pela necessidade de incutir ao acto algum sentido religioso, também se conta que Herodes, disposto a matar o Menino Jesus, tentou armar uma cilada à Sagrada Família aquando da sua fuga para o Egipto. Sabendo que pernoitaria numa determinada casa, mandou que um traidor aí colocasse um ramo de giesta florida. Herodes mandou os seus soldados à procura da dita casa. Grande foi o espanto dos soldados quando encontraram todas as casas da aldeia com ramos de giesta florida à porta. Salvou-se pois assim o Menino Jesus!
Rafael Carvalho, Mai2008

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Caça-texturas: na descoberta do património invisível.


Grafismo em bloco granítico - Igreja Matriz de Armamar
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Quem nunca aprisionou a textura de uma moeda?
As nossas aldeias estão povoadas de texturas susceptíveis de serem capturadas, bastando para isso uma folha de papel e uma barra de grafite.
Sozinhos ou em grupo (familiar, escolar, clube, ATL…) podemos observar, percorrer paredes, recantos, ruas e fachadas, tactear a superfície dos objectos na busca das melhores texturas.
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A intenção é que, como por magia, após o risco do lápis as imagens surjam, sejam elas de um jardim, de uma rua, de uma praça, ou até mesmo de uma tampa em ferro dos telefones, água ou esgoto, baixos-relevos de motivos variados ou texturas naturais. Caçar texturas revela muito do nosso património, cria afectos e fortalece a ligação ao meio. Revela uma aldeia invisível que passa despercebida por debaixo dos nossos passos apressados, do dia-a-dia. Caçar texturas estimula a investigação sobre a origem de cada descoberta, contribuindo para desvendar a história de cada aldeia.
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Em Setembro e Outubro de 2007, realizou-se a primeira edição do Festival das Aldeias Vinhateiras do Douro. Miguel Horta, colaborador do Serviço Educativo da Fundação Calouste Gulbenkian, dirigiu na altura com grande êxito um workshop para crianças intitulado “Caça Texturas”.
Rafael Carvalho, Mai2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008

ARQUITECTURAS DE TERRA 1: REFLEXÃO CONTEMPORÂNEA


Foto obtida aqui
Na pesquisa que vou desenvolvendo no âmbito das temáticas “Arquitectura Popular”, “Arquitectura sustentável”, “Bioconstrução”, "Urbanismo", entre outras, vários são os documentos encontrados cuja qualidade justifica a sua partilha.
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«... A falta de acesso à habitação, à educação, às liberdades, aos alimentos, ao ar e à água, não é um cenário mais ou menos longínquo no nosso “mundo”: é o nosso mundo.
Esta realidade – a contemporaneidade à qual devemos reagir - exige estar atento aos impactos ecológicos, à ética, ao uso da energia e dos recursos. As construções “naturais” podem assim ter um papel activo, dado implicarem menores repercussões ambientais e serem, por definição, processos de construção simples e económica, adaptados aos recursos existentes e a uma mão-de obra pouco especializada...»
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Intitulado "ARQUITECTURAS DE TERRA 1: REFLEXÃO CONTEMPORÂNEA", da autoria de Eduardo Carvalho, Francisco Freire e Luís Gama ("Plano B Arquitectura"), eis um excerto do documento que hoje pretendo partilhar.
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Para aceder ao documento clique aqui.

terça-feira, 6 de maio de 2008

«Arquitectura Popular Portuguesa» em Selo - 2/20


A Casa da Beira Litoral – Selo 2 de 20
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A Arquitectura Popular está directamente ligada ao meio ambiente e assim, também em Portugal, de região para região se podem apontar características arquitectónicas específicas.
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Desenhado por José Luís Tinoco, este selo posto a circular a 20 de Agosto de 1985 retrata o palheiro, uma das Casas da Beira Litoral. Pela técnica de construção, mais parece tratar-se de um barco cravado no areal por fortes estacas de madeira, é a casa do pescador e do marinheiro.
Rafael Carvalho / Abr2008

sábado, 3 de maio de 2008

Uma casa em Parada do Bispo


Foto: Parada do Bispo, Lamego

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Localizada em Parada de Bispo, Concelho de Lamego, a casa da imagem sintetiza algumas das principais características da construção popular alto-duriense.
Assente sobre o R/C em xisto, o primeiro andar em tabique. Coberta pelo normal prolongamento do telhado, no primeiro andar destaca-se a varanda em madeira, com ripas cruzadas definindo triângulos de grande efeito decorativo. Diga-se lá que o homem do povo desconhece a Geometria, uma das áreas da Matemática!...
No R/C as molduras de portas e janelas são em granito, rocha abundante no monte de São Domingos, a escassas centenas de metros.
A datação epigrafada na padieira da porta de entrada remete-nos para 1822, primeiro quartel do sec. XIX.
Ao contrário do habitual revestimento com soletos de ardósia, o tabique do primeiro andar surge aqui rebocado.
Um belo exemplar a preservar, assim o queira o dono.

Rafael Carvalho / Mai2008