quarta-feira, 2 de julho de 2008

Inscrição na padieira


Foto: Parada do Bispo – Lamego.
Em numeração romana (MDCCCXXII), como no exemplo da imagem, em numeração árabe (1822) ou ainda combinando as duas numerações (MDCCC22) é vulgar no Douro a inscrição do ano de construção do edifício sobre a padieira da porta. Associado ao ano de construção poderão estar ainda as iniciais do nome do proprietário, formando por vezes laboriosos trabalhos artísticos.
Rafael Carvalho, Jul2008

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ferruginosa Aldraba / Aldraba D'Ouro


Ferro e madeira….
… que excelente combinação!
Na imagem, uma aldraba.
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Aldraba - «Argola fixa por uma extremidade na parte anterior das portas, a qual serve para bater nesta e para levantar a tranqueta que segura a porta do lado posterior (...). Peça de ferro ou de bronze, de formas diversas, móvel na parte superior e terminando inferiormente em martelo, que se fixa na face anterior das portas, e que se levanta e deixa cair sobre uma espera de ferro, quando se quer bater à porta (...)».
in "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira"

Rafael Carvalho / Jun2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Muros D’ouro



Foto: Fontelo, Armamar
Os muros são uma das faces visíveis do património invisível alto-duriense. Património invisível porque embora presente na paisagem, quem por ele passa nem sempre o vê.
Os muros, usando terra como argamassa, são normalmente construídos empilhando as pedras obtidas após a surriba dos terrenos virgens.
Como um muro ajuda a suster a terra, nos declives não é mais do que um socalco. Entre um muro e um socalco existem todas as transições possíveis.
O muro para além de suportar a terra também delimita a propriedade privada, fortalecendo o sentimento de posse.
Autenticas muralhas, no Douro muitos dos muros são feitos com uma qualidade que impressiona!
Existem muros com algumas particularidades, como os que permitem a plantação em “pilheiros”, nichos deixados a certa altura dos calços ou dos muros de suporte aos caminhos, onde o bacelo da vinha, implantado, lança raízes, constituindo uma mais valia no aproveitamento do espaço disponível.
Os caminhos antigos, normalmente de reduzida largura, onde não passaria mais do que um carro de bois, são usualmente delimitados por muros. O derrube destes muros tem levado à descaracterização da paisagem duriense.
Rafael Carvalho / Jun2008

sábado, 21 de junho de 2008

Sande - Arquitectura Popular


Foto: Sande, Lamego
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Em ressalto sobre o R/C em pedra surge o primeiro andar em tabique.
Localizado em Sande, concelho de Lamego, eis mais um espécime da arquitectura popular alto-duriense.
A chapa está presente, a madeira a emoldurar janelas também.
Que a sua presença continue a alegrar Sande e o Douro, por muitos mais anos.
Rafael Carvalho / Jun2008
Mais sobre esta casa, clicando aqui.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

«Arquitectura Popular Portuguesa» em Selo -4/20


O Monte Alentejano – Selo 4 de 20
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A Arquitectura Popular está directamente ligada ao meio ambiente e assim, também em Portugal, de região para região se podem apontar características arquitectónicas específicas.
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Desenhado por José Luís Tinoco, este selo posto a circular a 20 de Agosto de 1985 retrata o Monte Alentejano, isolado e independente na planície, adaptando-se às exigências do clima e à amplidão de espaços conforme oferece o Alentejo.
Rafael Carvalho / Abr2008

domingo, 15 de junho de 2008

Caixa de Correio d'Aldeia



Foto: Castelo de Paiva
Paralelepípedo vermelho, não necessita de Néones nem de qualquer tecnologia especial para ser facilmente reconhecido, simples caixa de correio, preso na parede branca da mercearia da aldeia.
Rafael Carvalho / Jun2008

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Santa Cruz - notável nicho da Arquitectura D'Ouro


Foto: Santa Cruz, Armamar
Tenho que admitir que os nichos verdadeiramente notáveis da Arquitectura D’Ouro já não são muitos. Dos poucos, Santa Cruz em Armamar é certamente um deles.
Nas ruelas desta bela povoação, ainda é possível encontrar tabiques, ardósias, rebocos a cal, madeiras, chapas garridamente pintadas, varandas suspensas, pedra e muita pedra…
Para ilustrar esse facto, a foto acima.
O conjunto assim exposto encerra em si algumas das principais características arquitectónico-construtivas alto-durienses.
O edifício da esquerda possui as paredes exteriores integralmente construídas em pedra, destacando-se no último andar uma varanda de procissão. Esta forma de construir é frequente não só no Douro como em muitas outras povoações do Norte do país.
O edifício da direita, belo exemplar da arquitectura do tabique, fascina pela diversidade de materiais, revestimentos, cores e técnicas construtivas. Não precisaria sequer de me deslocar ao local para o integrar geograficamente na bacia do Douro.
Na ausência de decisões politicas que salvaguardem este património, desejo sinceramente que os proprietários tenham bonsenso e condições económicas para manter vivo este conjunto, verdadeiro tesouro da arquitectura alto-duriense.
Rafael Carvalho / Mar2008

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Reserva Botânica de Cambarinho


Foto: Reserva Botânica de Cambarinho, Vouzela
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Já há diversos anos sabia da existência da Reserva Botânica de Cambarinho. Como utente do IP5, actual A25, ofuscado pelos eucaliptos australianos que lamentavelmente reinam na zona, durante anos a fio passei com desprezo a seu lado. Finalmente surgiu a oportunidade de a visitar e também o lamento de só agora o ter feito.
De olhos escancarados e boca aberta, de espanto entenda-se, descobri o vale encantado da ribeira do Cambarinho e do rio Alcofra. Filo quase cem anos após a ciência ter descoberto os primeiros rododendros na zona. Ironicamente eles já lá estavam há dois milhões de anos, desde o Terciário. Os rododendros (Rhododendron ponticum ssp baeticum) são conhecidos localmente como loendros, o que tem causado alguma confusão dado ser este também o nome comum pelo que é conhecida a espécie Nerium oleander, bastante mais vulgar no nosso país.
Os rododendros distribuem-se ao longo das linhas de água. Ocupam zonas bastante húmidas povoadas de fetos e musgos, mas não encharcadas, sendo especialmente exuberantes quando constituem o sub-bosque dos carvalhais (carvalho negral ou roble) aí existentes.
A nível mundial, a maioria das espécies de Rhododendron habita zonas pluviosas de clima sub-tropical, principalmente no maciço dos Himalaias. O Rhododendron ponticum outrora proliferava em vastas extensões da Europa. Actualmente encontra-se apenas em núcleos residuais do Sudeste Europeu e parte da Ásia Menor (Rhododendron ponticum ssp ponticum), bem como na Península Ibérica - Serra do Caramulo, Serra de Monchique e em Cadiz, Sul de Espanha (Rhododendron ponticum ssp baeticum).
A Reserva Botânica de Cambarinho, verdadeiro paraíso, vale pelo conjunto de espécies botânicas nativas que encerra. Merece a pena uma visita a este vale encantado, especialmente em Maio, princípios de Junho, época de floração dos rododendros. Possui um percurso pedonal devidamente sinalizado com informações relativas ao património natural e arqueológico que encerra.
Quanto ao futuro, seria bom que se procedesse à construção de um Centro Interpretativo que satisfizesse a curiosidade dos amantes da natureza, especialmente fora da época de floração dos rododendros. Quanto às árvores exóticas que a reserva possui no seu interior, deveriam ser erradicadas. Refiro-me aos eucaliptos, bem como a alguns pés de carvalho americano e liquidambar que embora plantados com boas intenções aí aparecem desenquadrados.
Rafael Carvalho / Jun2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

CAL: sua natureza, obtenção, preparação, aplicação.


Foto: Trevões, São João da Pesqueira
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Na pesquisa que vou desenvolvendo no âmbito das temáticas “Arquitectura Popular”, “Arquitectura sustentável”, “Bioconstrução”, "Urbanismo", entre outras, vários são os documentos encontrados cuja qualidade justifica a sua partilha.
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O documento que hoje pretendo partilhar refere-se à CAL:
Sua Natureza
Sua Obtenção
Sua Preparação
Sua Aplicação
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Para aceder ao documento clique aqui.
Rafael Carvalho / Jun2008

terça-feira, 3 de junho de 2008

Conservação de Portas Antigas


Foto: Armamar
O postigo da imagem foi posto a descoberto na porta de uma casa datada de 1908, mencionada na última mensagem.
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Pela autenticidade que uma porta antiga pode conferir ao edifício em que se insere, aqui ficam alguns conselhos para a sua recuperação promovidos por:
The Society for the Protection of Ancient Buildings
Charity No. 231307 37
Spital Square, London E1 6DY
tel 020 7377 1644 fax 020 7247 5296
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ACONSELHAMENTO TÉCNICO
PERGUNTAS E RESPOSTAS FREQUENTES
CONSERVAÇÃO DE PORTAS ANTIGAS
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As portas são evidências históricas importantes dos edifícios antigos. Apesar de menos comum do que em épocas passadas recentes, a remoção e substituição de portas antigas é uma das preocupações da SPAB.
P. Porque devo resistir à tentação de substituir as minhas portas ?
R. A remoção de portas antigas pode significar uma redução importante do carácter e da autenticidade de um edifício. As portas existentes podem frequentemente ser reparadas e, se necessário, beneficiadas no que respeita a melhor segurança ou a melhor anti-intrusão. A sua substituição é um último recurso, e deve ser normalmente compatível em termos de estilo e de materiais. A SPAB está apta a aconselhar nomes de carpinteiros competentes.
É um erro vulgar usarem-se portas de produção em série “de estilo” que são muito grandiosas ou incompatíveis com a edificação.
P. A degradação ou a má conservação não são boas razões para se substituir uma porta ?
R. Geralmente não. Normalmente só está afectada uma pequena área, tal como a base da porta que pode estar apodrecida. Um carpinteiro competente irá, em muitos casos, ser capaz de a emendar com madeira nova bem seca, a condizer. É prudente o uso de madeira duplamente tratada por vácuo onde exista uma certa probabilidade de futuras penetrações de humidade e de apodrecimento. Áreas menores de degradação podem ser simplesmente preenchidas. É importante, claro, tratar-se primeiro da causa de qualquer degradação activa – por exemplo, uma caleira rota ou um remate da alvenaria, em chumbo, defeituoso.
P. Como se pode evitar o arrastar de uma porta ?
R. O arrastar é consequente da expansão sazonal, de uma aduela empenada ou da falta de dobradiças.
O arrastar sazonal, causado pela expansão induzida pelo humedecimento, pode ser tolerado. Quando uma aduela está ligeiramente empenada, uma aplainagem cuidadosa e uma passagem à lixa na porta irão geralmente evitar que ela fique bloqueada. Os empenos severos, no entanto, podem indicar um problema estrutural (geralmente um movimento na parede ou uma rotura num lintel). Para se fixarem as dobradiças soltas, pode ser necessário tornar a assentá-las depois de se ter introduzido cavilhas de madeira coladas no interior dos furos dos parafusos e depois de ter aberto novos furos (especialmente onde os furos tiverem ficado alargados por anteriores ligeiras afinações das dobradiças).
P. Como se trata de uma porta empenada ?
R.
Pode ser possível contrariar-se o empeno de uma porta pela colocação de mais uma dobradiça, alterando-se a posição de uma dobradiça já existente, ou usando-se uma tranca para obrigar o empeno a voltar ao lugar. Alternativamente, o batente da aduela pode ser, por vezes, cuidadosamente desbastado ou mudado de posição.
Se forem necessárias medidas mais substanciais, pode-se deitar a porta num plano e endireitá-la pela aplicação de pesos durante alguns dias ou semanas. Outro método é a remoção dessa porta e o seu desempeno pela utilização de um sistema de arame torcido e calços.
P. Como se repara um painel de porta rachado?
R. Por vezes os painéis das portas racham quando retraem e têm impedido esse movimento dentro da sua armação, geralmente por acumulação de tintas. Se estiverem soltas, as duas partes de um painel podem ser coladas entre si novamente. Devem ser unidas e fixadas com agrafos temporários cruzando a racha, até que a cola seque. Se o painel não se conseguir mover, podem-se colar fasquias de madeira dentro da racha (que pode ter que ser alargada) e dar-lhes acabamento à face do painel.
P. Possivelmente devem-se preservar as antigas ferragens da porta?
R.
Sim, sempre. Batentes antigos, maçanetas, fechaduras, etc. podem dar uma pequena mas valiosa contribuição para o carácter do edifício. A sua manutenção irá envolver pouco mais que uma eventual lubrificação das fechaduras e das dobradiças. Por vezes um trinco desalinhado pode ser corrigido calçando-se uma dobradiça com um cartão por detrás. Quando uma porta abanar, pode-se resolver o caso afinando-se a chapa de testa da fechadura. Existem acessórios com funcionamento por alavanca que permitem manterem-se as maçanetas velhas das portas, mas adaptadas para pessoas com artrite.
P. É correcto decaparem-se as portas antigas?
R.
Não, esta moda recente é geralmente incorrecta sob o ponto de vista histórico e pode causar danos. A maioria das portas antigas são feitas com madeiras brandas que depois eram pintadas. Uma excepção são as portas de carvalho anteriores ao século XVIII que, se não estivessem pintadas a cal, eram por vezes deixadas sem pintura.
O jacto de areia estraga a superfície da madeira. A imersão em “banho ácido” pode levantar o grão e, por amolecimento da cola, enfraquecer as juntas. É geralmente desaconselhado aplicar-se óleo de linhaça, velatura ou verniz em portas de carvalho não pintadas. Se for considerado vital, pode ser aplicada cera de abelhas ou aguarrás pelo lado interior do carvalho não pintado.
P. As portas antigas são conformes às medidas de precaução contra incêndios, onde tal é exigido?
R.
A sua substituição não é inevitável. A possibilidade de melhoria das suas condições de resistência ao fogo depende da qualidade de cada conjunto de porta, e do período de resistência ao fogo especificado (o qual é determinado pela utilização do edifício e pelas funções da porta). Na sede da SPAB, por exemplo, foram incorporadas mantas de fibra de vidro sobre os painéis das portas para aumentar o período de integridade da tinta intumescente. Isto conseguiu apenas 30 minutos de resistência ao fogo, mas um esquema de pressurização da escada aumentou este período para os 60 minutos requeridos.
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Tradução e edição por António de Borja Araújo, Engenheiro Civil, IST.
Informação extraída de
http://www.lisboa-renovada.net/doc/conservmadeira/portas_antigas.pdf
Rafael Carvalho / Jun2008