terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ferradura na porta - casa protegida

Foto: Alvações do Corgo, Santa Marta de Penaguião + No Douro manda a tradição que se pendure uma ferradura no topo interior da porta de entrada. Relativamente ao objecto retratado na imagem, o dono não se inibiu e para felicidade minha, fotógrafo de ocasião, pendurou-o no exterior à vista dos transeuntes. Pendurar uma ferradura na porta, símbolo de sorte, tem certamente os dias contados. Este costume ainda se mantém à custa da reutilização de ferraduras, vestígio do tempo em que o gado cavalar, asinino e muar, usado no trabalho agrícola, transporte ou lazer, reinava nas nossas povoações. A ferradura nas velhas azenhas e nos barracões agrícolas é de presença obrigatória, surgindo muitas vezes não só na porta de entrada como entalada nas pedras das paredes, o que se deve à ancestral presença das ditas bestas junto das referidas instalações. Evidentemente que o uso da ferradura como símbolo de sorte não é exclusivo do Douro. Já na antiga Grécia a ferradura era considerada um talismã, porque era de ferro, metal que o povo acreditava proteger contra qualquer mal. Reza a lenda que São Dunstan de Canter-bury (924-988), arcebispo inglês, teria colocado ferraduras no demónio, só as retirando depois do próprio belzebu prometer que nunca mais se aproximaria desses objectos.
Rafael Carvalho / Abr2008

sábado, 24 de janeiro de 2009

Pétreos braços abertos

Foto: Aldeia-de-Baixo, Armamar +
Intitulava-se a minha penúltima mensagem: “Gentil Casa / Gentil Cara”. Ainda no rescaldo dessa mesma mensagem, cruzei-me com a fachada acima exposta. Num contexto geográfico um pouco diferente, Alto-Douro no caso, de pétreos braços abertos o pórtico acima exposto parece querer abraçar quem por ele passar. No Alto-Douro são frequentes as inscrições na padieira das portas, na maioria dos casos sulcadas na própria pedra. No exemplo agora relatado, às iniciais do proprietário segue-se a data de construção do edifício – 1898. Com mais de um século de existência, usando exclusivamene a tinta como suporte é a inscrição do género mais antiga que conheço.
Rafael Carvalho / Jan2008

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Portugal: uma janela para o mundo

Felicito a editora QuidNovi por ter publicado o Livro “Portugal: uma janela para o mundo”. Desde logo por colocar no mesmo plano, lado a lado, “taco a taco”, o património popular e o património erudito. Entre as quatro janelas da capa do livro, de cariz popular a primeira foi rebuscada na Aldeia de Cabril, conselho da Pampilhosa da Serra. Outra janela refere-se a uma igreja Românica não identificada. Entre elas também a mais famosa janela portuguesa, a janela Manuelina do Convento de Cristo, em Tomar. A última diz respeito a uma das janelas da Casa da Música, no Porto. Transcrevo seguidamente a apresentação que a editora QuidNovi faz do livro.
+ “Uma viagem pelo Portugal de hoje e de outros tempos, através da imagem, é a proposta de Portugal: Uma Janela para o Mundo, livro que percorre o país de Norte para Sul, de Ocidente para Leste, mostrando o que de belo, típico, inovador e único tem para mostrar a mais ocidental nação da Europa. Portugal: Uma Janela para o Mundo é acima de tudo um álbum de fotografias, útil para quem pretende ter uma visão geral de Portugal no arranque do século XXI, seja pela contemplação dos monumentos preservados seja pela observação das mais recentes obras de arquitectura, como a Casa da Música, no Porto, o Pavilhão de Portugal, em Lisboa, ou o premiado Estádio de Braga.” + “Portugal: uma janela para o mundo”, a partir desta data passa a constar na minha lista de livros recomendados.
Rafael Carvalho / Jan2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

Gentil Casa / Gentil Cara

Foto: Valpedre, Penafiel. O telhado serve de chapéu, as janelas são olhos para o mundo. Será a videira um bigode? Pela porta, boca aberta, entra tudo o que o dono quiser…
Rafael Carvalho / Jan2008

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

«Arquitectura Popular Portuguesa» em Selo -14/20

Casas da Beira Interior – Selo 14 de 20 Piodão - 1988.08.24 - Postal-Máximo obtido aqui +
+ A Arquitectura Popular está directamente ligada ao meio ambiente e assim, também em Portugal, de região para região se podem apontar características arquitectónicas específicas.
+
Desenhado por José Luís Tinoco, este selo posto a circular a 15 de Março de 1988 retrata algumas CASAS da BEIRA INTERIOR. Estas casas utilizam ardósia e xisto que embora em pequenas placas dão origem a paredes bastante robustas.
Rafael Carvalho / Jan2008

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Neve e Xisto...

Foto: Armamar Ainda no rescaldo do nevão da passada Sexta-feira, apresento a imagem com que ilustro o presente post. Construído em xisto, o edifício da imagem funde-se com o chão rochoso. Tanto que, qual soldado em tempo de guerra, no dia-a-dia não é fácil reconhecer a sua silhueta. Em tempo de neve porém tudo é diferente! A neve branca que cobre o chão contrasta com as suas paredes escuras… … o soldado perde o camuflado. A construção da imagem, antiga azenha, localiza-se junto ao Ribeiro de Temilobos, paredes-meias com a vila de Armamar.
Rafael Carvalho / Jan2009

sábado, 10 de janeiro de 2009

“5ª Cidade”

Já há vários meses sigo de perto o sítio “5ª Cidade”. É um blogue colectivo, feito por profissionais, sobre cultura e reabilitação urbana. Entre os assuntos que aborda encontramos a reabilitação física, económica e social dos centros históricos e da cidade em geral. Trata ainda da cidade em crise, do património cultural e edificado, da teoria e prática urbanas bem como da sustentabilidade urbana. No seu friso lateral é possível aceder a uma vasta bibliografia sobre os temas acima mencionados. Possui uma biblioteca virtual que permite consultar variados documentos em formato digital. Contém diversas Cartas de património (Unesco, ICOMOS, …) bem como um índice de legislação. A partir desta data a “5ª Cidade” passa a constar na minha lista de hiperligações. Aceda à “5ª Cidade” em http://www.quintacidade.com/
Rafael Carvalho / Jan2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Belo edifício, bela aldraba!

Foto: Canelas, Arouca A aldraba que hoje apresento pertence à porta-carral do edifício que ilustrou a minha última mensagem. Que Excelente combinação…
...Belo edifício, bela aldraba!
Rafael Carvalho / Jan2009

domingo, 4 de janeiro de 2009

Casa torreada em Canelas, Arouca

Foto: Canelas, Arouca Localizado em Canelas, Arouca, o edifício da imagem encanta. Encanta desde logo porque prova que o isolamento e a separação geográfica e cultural não impedem que, em resposta ao meio, o homem do povo procure idênticas soluções arquitectónicas. Se a casa torreada da imagem surgisse rebocada e caiada, não seria difícil confundi-la com um qualquer exemplar da arquitectura popular saloia, de filiação mourisca, dos arredores de Lisboa. Isto da arquitectura popular, prega-nos cada partida!...
Rafael Carvalho / Jan2009

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Rua de Oldrões - uma ilha no meio do betão

Valpedre, 1 de Janeiro de 2009. + O dia amanheceu chuvoso. As vertentes gemem água que em turbilhão desliza valeta fora. Após a noite de passagem de ano, quem não dorme curando a ressaca está recolhido em casa ou na igreja, de onde ao longe se ouvem os cânticos e orações. Clima perfeito pois para me deliciar caçando, de máquina fotográfica em punho, algum do património arquitectónico vernacular da região de Penafiel. Por entre latadas, videiras adormecidas pelo Inverno, cantos de galo e latidos de cão, embrenho-me rua de Oldrões abaixo. Logo à entrada da rua deparo-me com um belo pórtico, porta-ferronha como é designada na região, entrada da verdadeira fortaleza que é uma das muitas casas de pátio fechado do concelho de Penafiel. A porta-ferronha localiza-se estrategicamente na curva do caminho, facilitando a entrada e saída de viaturas, outrora exclusivamente de tracção animal.
Aprecio e cobiço a bela aldraba que a mantém fechada.
Tento espreitar por um postigo que estabelece a comunicação entre a corte dos animais e a rua. Sou presenteado com o mugido e o bafo de um dos animais.
Prossigo viagem. Olho a ramada que me serve de tecto e penso quão fresco tornará ela o ambiente no verão. O pequeno aglomerado que atravesso é uma verdadeira ilha no meio do betão. Felizmente, ainda existem na zona muitas outras ilhas. Não sei é até quando!...
Questiono-me se as latadas e as estreitas ruelas, bloqueando o acesso a camiões e gruas, não têm sido a tábua de salvação de todo o património que vislumbro. Mais à frente avisto nova porta-ferronha, curiosamente ainda recoberta por lousa, tipo de cobertura já há muito abandonada na região, substituída entretanto pela telha marselha. Entre muros, hortas, minas e tanques de armazenamento de água, eiras, sequeiros, espigueiros e cruzeiros, montes de lenha, carvalhos e velhas piteiras, vou avançando.
+ Novas interrogações me assaltam. Que vírus terá afectado o bicho-homem que em poucas gerações perdeu a noção de proporção? Será que cegos não nos apercebemos do tesouro, património que herdámos, que não só temos o dever de proteger como ainda deveríamos dilatar? Quantos anos possuirá o pequeno aglomerado de casas que atravesso? A inscrição na base de uma cruz de pedra assinala o ano de 1644. Sendo o aglomerado multi-centenário, sai reforçado o seu valor.
Rafael Carvalho / Jan2009