segunda-feira, 30 de março de 2009

Uma casa tradicional em Ucanha

Foto: Ucanha, Tarouca +
Localizada em Ucanha junto ao rio Varosa, entre amieiros e sabugueiros em flor, o espécime da imagem, verdadeira casa agrícola, encanta. Encanta pelo seu valor individual mas também pelo seu enquadramento – Aldeia Vinhateira do Douro, a escassas dezenas de metros da Torre de Ucanha, belo exemplar da engenharia civil quinhentista. O dito espécime possui dois pisos, o primeiro de habitação, sendo que o rés-do-chão, ao jeito de loja, permite a guarda de ferramentas e produtos agrícolas. Como é comum na região, são muito poucas as aberturas ao nível deste piso, sendo que as janelas se resumem a pequenos postigos gradeados por uma barra de ferro disposta na horizontal. O R/C é servido por uma eira suportada pelo muro que em primeiro plano surge na imagem. O grosso da construção é feito com blocos irregulares de granito, rocha abundante na região, sendo que os blocos de maiores dimensões foram aproveitados para os cunhais e molduras de algumas portas e janelas. Ocupando proeminentemente toda a fachada, assente sobre os barrotes do soalho, no primeiro andar surge uma harmoniosa varanda. A varanda é recoberta pelo telhado que nesta casa surge como sendo de duas águas, apesar de na zona também os haver de três, quatro ou mesmo uma única água. A inexistência de chaminé faz adivinhar a saída do fumo pelo espaço inter-telhas, único arcaísmo visível. Os balaústres da varanda e as escoras do telhado são em madeira. Ocupando a varanda toda a largura da fachada, para ela se abrem alternadamente três janelas e duas portas, ferruginosamente pintadas. Esta casa é um exemplar típico de transição entre a rude arquitectura popular serrana e a fina arquitectura popular duriense. À sólida robustez do granito com que esta casa é construída, opõe-se a finura do tabique, presente ao nível do primeiro andar unicamente na fachada onde a varanda se insere.
Rafael Carvalho / Mar2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ingenuamente pintada...

Foto: Armamar Se alguém não tivesse ingenuamente pintado a caixa, certamente a imagem não teria a mesma beleza!
Rafael Carvalho / Mar2009

terça-feira, 24 de março de 2009

Janela no Pinhão

Foto: Pinhão, Alijó +
Pertencente à cede do Clube Pinhoense, a janela da imagem encanta. Encanta pela robustez do granito que a emoldura, acentuada pelo gradeamento em ferro maciço que possui. Mas não é só a janela que fascina. Fascina também a parede em que a janela se insere, verdadeiro puzzle, verdadeira muralha!
Rafael Carvalho / Mar2009

sábado, 21 de março de 2009

Majestosos Medronheiros

Para comemorar o dia da árvore exponho as duas fotografias seguintes, capturadas em Maio de 2006 em Aldeia-de-Cima, concelho de Armamar.
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Foto: Aldeia de Cima, Armamar

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Os dois espécimes vegetais em causa são medronheiros (Arbutus unedo), os maiores que conheço. Localizam-se numa propriedade privada, actualmente toda murada e de acesso por isso restrito. Todo o espaço é uma agradável surpresa. Contém, para além dos muitos medronheiros, diversas espécies arbóreas, arbustivas e herbáceas da nossa flora espontânea: castanheiros (Castanea sativa); pinheiros bravos (Pinus pinaster); cerejeiras bravas (Prunus avium); zimbros (Juniperus oxycedrus); carvalhos negrais (Quercus pyrenaica); estevas (Cistus ladanifer); giestas (Cytisus sp.); tojos (Ulex sp.); pilriteiros (Crataegus monogyna); abrunheiros bravos (Prunus spinosa); rosmaninhos (Lavandula stoechas) … O proprietário, pessoa informada, tem sabiamente gerido todo este património natural. Curiosamente, à data das fotografias, dava-se na mesma propriedade início à construção de uma moradia seguindo a tipologia e os métodos construtivos tradicionais locais. São dessa altura as fotografias abaixo expostas.
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Património natural, património construído… Duas paixões que se aliam no dia da árvore.
Rafael Carvalho / Mar2009

quinta-feira, 19 de março de 2009

«Arquitectura Popular Portuguesa» em Selo -16/20

Casa Transmontana – Selo 16 de 20 + A Arquitectura Popular está directamente ligada ao meio ambiente e assim, também em Portugal, de região para região se podem apontar características arquitectónicas específicas.
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Desenhado por José Luís Tinoco, este selo posto a circular a 15 de Março de 1988 retrata duas CASAS TRANSMONTANAS. De aspecto “másculo”, utilizam pedra na sua construção, mimetizando a rocha de onde foi extraída. Apresenta-se dignamente sem ornatos.
Rafael Carvalho / Ago2008

segunda-feira, 16 de março de 2009

Soleto de ardósia / escama de sereia

Foto: São Martinho de Mouros + · Tendo entrado por engano na barra do Douro, conta-se que uma sereia subiu rio acima. Encantada com a beleza do vale, à passagem, salpicou as casas com as suas escamas. · Dizem que o diabo também tem cascos! Há inclusive quem lhe chame pé de cabra… Pendurem-se pois ferraduras nas casas, lembrando a belzebu que em cada esquina há quem o espere, disposto a oferecer-lhe um par de sapatos (ferraduras, entenda-se).
Rafael Carvalho / Mar2009

sexta-feira, 13 de março de 2009

Empresas/Arquitectos com tradição (III)

Motivado por algumas das postagens do blogue “http://boassas.blogspot.com/”, visitei Boassas em 2008. Bem no centro da aldeia, com um excelente enquadramento, deparei com aquela que agora sei chamar-se a “Casa Fernando Ventura”. Estava longe de imaginar que o que se vê é fruto de uma remodelação recente. O recurso à inclusão de elementos característicos da arquitectura tradicional local foi feita com uma qualidade tal que fui induzido em erro. Projectada pelo arquitecto Cerveira Pinto, afinal a “Casa Fernando Ventura” não esteve sempre lá, como eu na altura então julguei!

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Arquitecto versátil que facilmente se adapta ao meio envolvente, arrojado por não ter receio de usar a linguagem vernácula nos seus projectos, a referência ao arquitecto Cerveira Pinto consta a partir de hoje na minha lista de “empresas/arquitectos com tradição”. Esta lista está presente no friso lateral deste blogue.
Rafael Carvalho / Mar2009 As imagens usadas no presente post foram obtidas aqui.

terça-feira, 10 de março de 2009

Mix em Pias

Foto: Pias, Cinfães
+ Encontrei o espécime da imagem em Pias, para os lados de Cinfães. Vejo nele um misto de arquitectura popular e erudita. Popular porque não segue a rigidez geométrica do solar. Erudita pela qualidade das cantarias expostas, pela imaculada cal, pelo pormenor das escadas em arco. Erudita também pelo rodapé em azulejo, algo raro no Douro. Encanta-me a trapeira em tabique que em vez da habitual janela possui uma porta culminando em varanda. E o que dizer da roseira-trepadeira?
Rafael Carvalho / Mar2009

domingo, 8 de março de 2009

Rico enquadramento para modesto casebre

Foto: Contim - Armamar
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Quem de Armamar segue em direcção a Moimenta da Beira, entre carvalhos (Quercus pyrenaica) e escassos pinheiros (Pinus pinaster), em Contim vislumbra o exemplar arquitectónico da imagem. Não passando actualmente de um mero e simples barracão agrícola, a qualidade da cantaria de que é feito impressiona.
A moldura vegetal envolvente é um forte contributo para a beleza do conjunto. Aquando da minha visita a tão modesto espécime, fui presenteado com uma agradável surpresa. Entre folhas, sobreviventes despojos Invernais, do solo erguiam-se centenas de narcisos (Narcisus sp.), de que o núcleo da fotografia é apenas um exemplo.
Rafael Carvalho / Mar2009

quinta-feira, 5 de março de 2009

Óculos

Foto: Pias, Cinfães +
Refere-se a imagem a um dos muitos “óculos” presentes, ao nível do rés-do-chão, em muitas das portas durienses. No Douro o rés-do-chão serve normalmente de armazém, outrora também usado como estábulo para os animais. Por norma é local com poucas aberturas ao exterior. Aos “óculos” e frestas cumpre conduzir ao interior uma nesga de luz, bem como alguma ventilação. Os óculos surgem com as mais variadas formas (coração, círculo, estrela, losango…), contribuindo desta forma para a diversidade arquitectónica duriense.
Rafael Carvalho/Mar2009