sábado, 30 de maio de 2009

Campo de Trabalho Internacional - Inventário e Recuperação de Património Rural

Calendarização: 18/08/2009 a 30/08/2009 Local: Reserva da Faia Brava - Figueira de Castelo Rodrigo + “Numa região profundamente marcada ao longo dos séculos pela acção humana, onde a paisagem natural se funde com a humanizada, a ATN - Associação Transumância e Natureza- convida-o a participar num Campo de Trabalho Internacional (CTI), realizado com o apoio do Instituto Português da Juventude (IPJ) e em parceria com e o Parque Arqueológico do Vale do Côa (PAVC/IGESPAR) e a APDARC (Associação para a Promoção da Arte e Cultura do Vale do Côa e Douro Superior). Este campo pretende apoiar a inventariação de estruturas e construções rurais, assim como de histórias e saberes locais, na Reserva da Faia Brava, propriedade da ATN na ZPE do Vale do Côa. Os participantes deste CTI recebem formação teórica e prática em metodologias de inventário de arquitectura rural e de inquéritos e apoiam a ATN nos trabalhos de campo de inventário e reconstrução, que serão realizados em conjunto com especialistas convidados. Todo os dados e conhecimento recolhidos serão compilado num relatório final, que servirá de apoio à elaboração de actividades ecoturísticas, marcação de percursos pedestres, equestres e de bicicleta, a ser implementado na Reserva da Faia Brava.”
+ Obtenha os objectivos, tarefas e programa detalhado , clicando aqui

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Caiado-rosa

Foto: Lamego A propósito da relação entre o caiado-rosa e o aspecto apetitoso dos alperces maduros, evoquei numa das minhas mensagens o nome do arquitecto Raúl Lino. Passo a contextualizar as suas palavras, transcrevendo um excerto do seu livro “Casas Portuguesas”, indicado na secção “Livros Recomendados”. + “O caiar das casas é de boa tradição no nosso país e bem merece ser mantido pelo que tem de praticamente vantajoso e pelas possibilidades artísticas que oferece. Abençoado o uso da cal que com a sua variegada paleta salpica a nossa paisagem de alegria, ora exuberante com as ocas e os vermelhos, ora cheia de delicadeza onde o acaso ou o instinto dos alvenéis justapõe as mais finas cambiantes dos amarelos claros e dos rosas numa tonalidade que lembra o aspecto apetitoso dos alperces maduros”.
Rafael Carvalho / Mai2009

domingo, 24 de maio de 2009

Espigueiro em Paraduça

Foto: Paraduça, Moimenta da Beira
+ Ainda às voltas com os espigueiros, segue-se mais um. Localiza-se este em terras da Beira Alta, num ambiente geográfico bastante diferente dos dois anteriores (confirmar aqui e aqui). Assente em sete pares de pilares, este exemplar é um dos maiores da região, onde aliás os espigueiros já são raros. O espécime possui planta rectangular. A sua geometria (largura da fachada muito inferior à profundidade), facilita a circulação do ar, mantendo as espigas em bom estado sanitário. A fotografia foi capturada no Verão passado. Curiosamente, mesmo ao lado do espigueiro estão os pés-de-milho cujas espigas o irão alimentar. Construída com lajes de granito, da imagem salta ainda à vista a robusta eira.
Rafael Carvalho / Mai2009

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Espigueiro em Cabroelo

Foto: Cabroelo, Penafiel
+ O espigueiro da imagem localiza-se na aldeia de Cabroelo, concelho de Penafiel. De planta quadrada é semelhante a tantos outros ainda em uso na região. Distingue-o contudo o facto de ter sido recentemente construído. As espigas que verifiquei existirem no seu interior demonstram que lhe é dada utilidade, não tendo por isso sido erigido por motivos meramente saudosistas. Na sua construção foram aplicadas dois tipos de rocha: granito nos pilares; ardósia nos pratos e no beiral do telhado. O recurso ao beiral de ardósia é muito comum na região, não só na arquitectura de produção como na de habitação, o que certamente constituirá uma reminiscência do tempo em que na região os telhados eram integralmente construídos neste material. O corpo do espigueiro é inteiramente construído em madeira, sendo a sua cobertura de quatro águas feita com telha Marselha. O espigueiro da imagem ergue-se da eira que lhe serve de apoio. A eira destina-se a estender e malhar o milho. Ao abrigo das intempéries, presa no soalho por debaixo desta construção, existe uma escada suspensa, apenas extraível por mãos humanas quando se pretende aceder ao interior do espigueiro, coisa que os ratos não conseguem fazer.
Rafael Carvalho / Mai2009

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Arquitectura de Produção - Espigueiro

Foto: Lagares, Penafiel Construções palafitas, os espigueiros, também designados por canastros ou caniços, têm por função secar e armazenar as espigas de milho. Na sua construção é tradicionalmente usada pedra nos pilares e “mós”, madeira no ripado e telha de barro na cobertura. Existem contudo regiões onde na construção dos espigueiros a pedra ou a madeira são usados em exclusividade. O ripado na actualidade é muitas das vezes feito em cimento, sendo mesmo por vezes substituído por tijolo perfurado ou mesmo por uma simples rede. No nosso país os espigueiros existem sobretudo no Norte, prolongando-se a sua distribuição pela vizinha Espanha onde existem na Galiza, Navarra, Astúrias e província de Leão. Na Escandinávia também existem estruturas semelhantes. O ripado - fendas laterais do “corpo” do espigueiro, possibilitam a circulação do ar permitindo dessa forma a mais fácil conservação das espigas. Os pratos ou “mós” com que frequentemente culminam os pilares em que assentam os espigueiros tornam-nos imunes aos ataques dos roedores. Os pilares têm ainda por função isolar o “corpo” do espigueiro do solo húmido e corrupto. Os espigueiros erguem-se normalmente junto das eiras onde o cereal é tratado.
Rafael Carvalho / Mai2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Tabique em Ucanha

Foto: Ucanha, Tarouca
+ No Douro, a rudeza da pedra convive muitas vezes lado a lado com a delicadeza do tabique. Quando existente, o tabique enquanto solução construtiva para as paredes exteriores encontra-se ao nível dos andares superiores, aplicando-se também em acrescentos, sendo as trapeiras disso um exemplo. Pela sensibilidade à humidade, a técnica do tabique - engradado de madeira preenchido por terra argilosa, não pode ser usada em paredes exteriores ao nível do rés-do-chão. O espécime arquitectónico da imagem possui uma única parede exterior de tabique, a mais escura, da qual apenas subsiste o engradado de madeira. A terra, levou-a as agruras do tempo, a meteorologia e o passar dos anos…
Rafael Carvalho / Mai2009

terça-feira, 12 de maio de 2009

Batente em Ucanha

Foto: Ucanha, Tarouca

sábado, 9 de maio de 2009

Janela em Ucanha

Foto: Ucanha, Tarouca + Pertence a janela acima exposta ao robusto espécime arquitectónico a que fiz referência num dos meus últimos posts. A bela moldura granítica surge neste caso rebaixada relativamente ao reboco, opção não muito frequente na região.
Rafael Carvalho / Mai2009

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Gateira em Ucanha

Foto: Ucanha, Tarouca O relacionamento entre o homem e o animal já é antigo. No Douro, o gato faz parte da família, gozando de um estatuto especial. Não sendo capado, nesta região ainda se ouvem as serenatas do gato nas frias noites de Janeiro. No Douro o gato caça ratos, não come comida enlatada. No Douro o gato é tão rafeiro como o cão da rua que o persegue. No Douro o gato é livre. Sinais dessa liberdade e da cumplicidade que estabelece com o homem são as gateiras que ainda se vão mantendo no fundo das portas.
Rafael Carvalho / Mai2009

domingo, 3 de maio de 2009

Ucanha, rocha e tabique lado a lado

Foto: Ucanha, Tarouca
+ Ucanha é sem sombra para dúvida uma das mais belas povoações durienses. A diversidade tão marcante no Douro tem em Ucanha o seu expoente máximo. Na imagem, pintado de verde, um espécime da delicada arquitectura do tabique. Ao lado, em tom cremoso, um robusto exemplar da arquitectura rochosa. A robustez deste último modelo é acentuada pela exposição dos cunhais e molduras graníticas, qual leão ostentando a sua juba.
Rafael Carvalho / Mai2009