quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Azenha – arquitectura de produção em Capela

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+ Localiza-se a azenha da imagem em Capela, concelho de Penafiel. Pertence a um núcleo recentemente reconstruído de azenhas distribuídas ao longo do ribeiro da Trunqueira. Constituem o designado “Museu da Broa”, empreendimento que dá a conhecer todo o processo de moagem e fabrico da broa.
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Rafael Carvalho / Fev2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aldraba em velha porta de madeira

Foto: Quintandona, Penafiel
+ As ferragens artesanais têm um encanto especial, desde logo porque não existem duas iguais. Na imagem uma aldraba. Abrir uma porta rodando uma aldraba leva-nos a viajar no tempo. Na era das novas tecnologias usar, sentir uma aldraba, recorda-nos que vivemos num mundo real. As aldrabas, puxadores e batentes tradicionais, constituem parte do património invisível do nosso país. Se há quem reconheça este património e orgulhosamente o preserve, também há quem o ignore e despreze. Para nossa desgraça e para desgraça da nossa identidade cultural, portas de madeira e aldrabas vão sendo substituídas pelo alumínio. Troca-se o ouro pelo pechisbeque, descaracterizam-se os nossos povoados.
Rafael Carvalho / Fev2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Casa Torreada em Quintandona

Foto: Quintandona / Penafiel
+ As casas torreadas sempre exerceram em mim um grande fascínio. Na arquitectura popular portuguesa são uma invariante nalgumas regiões. A arquitectura vernácula saloia é disso um caso paradigmático. O exemplar da imagem localiza-se em Quintandona, povoação nortenha do concelho de Penafiel, sobre a qual têm recaído os meus últimos posts. Para além de algumas frechas, o espécime da imagem não possui ao nível do R/C outras aberturas para o caminho público. Este facto e a presença da mencionada torre, acentuam o carácter de fortaleza do edifício, o que certamente dará uma forte sensação de segurança a quem no seu interior se encontrar. Mesmo na ausência de sentinelas, sentir-me-ia um rei se tivesse a sorte de lá morar.
Rafael Carvalho / Fev2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Quintandona - um mar de pedra

Foto: Quintandona / Penafiel +
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Xisto nas paredes. Granito nas ruas, cunhais e molduras de portas e janelas. Ardósia nos beirais. A pedra domina na paisagem quintadonense. Dir-se-ia estarmos perante um mar de pedra… Rafael Carvalho / Fev2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Sequeiros, espigueiros e eiras em Quintandona

+ Foto: Quintandona, Penafiel
+ É terra de milho a região do Vale do Sousa em que Quintandona se insere. A presença de milho implica locais de armazenamento e secagem, daí a profusão na zona de sequeiros, espigueiros e eiras. Como ilustra a segunda imagem, curiosa é, durante o Inverno, a omnipresente roupa a secar sob os espigueiros.
Rafael Carvalho / Dez2010

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Casa em Quintandona

+ Recentemente recuperada, a casa em xisto que hoje apresento localiza-se em Quintandona, concelho de Penafiel.
+ O acesso à dita faz-se por um belo pórtico recoberto por um telhado de quatro águas, solução frequente na região. O pórtico abre-se para um pátio interior. A casa acaba por ser uma pequena fortaleza. Curioso é o beiral de ardósia, reminiscência do tempo em que toda a cobertura era feita desse material.
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+ Da fachada lateral direita destaca-se uma harmoniosa janela emoldurada em granito.
Xisto, granito, madeira e uma dúzia de laranjas, que bela combinação…
Rafael Carvalho / Fev2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aldeias de Magaio

Aldeia da Pena - Foto obtida aqui A Associação Aldeias de Magaio é uma entidade de coordenação de actividades de promoção cultural, ambiental, social e económica nas zonas serranas do Concelho de S. Pedro do Sul - aldeias do Maciço da Gralheira e do vale do Rio Paiva. Nas Aldeias de Magaio (Pena, Covas do Monte, Nodar, …) persistem com grande força as actividades tradicionais ligadas à agricultura e à criação de gado de montanha, bem como a arquitectura tradicional, o que confere às aldeias no seu conjunto um carácter de autenticidade difícil de encontrar em outras zonas rurais. A partir desta data o projecto “Aldeias de Magaio” passa a constar na minha lista de hiperligações. Aceda a “Aldeias de Magaio” clicando em
Rafael Carvalho /Fev2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Quinta do Outeiro - Amarante

Foto: Outeiro - Amarante
+ O edifício que hoje apresento localiza-se em Amarante. Aparentemente trata-se de uma reconstrução. O conjunto em causa agrada-me. Fascinam-me as paredes de pedra. A madeira das portas, das janelas e das paredes, aquece-me a alma! A negra ardósia, usada tradicionalmente na região como revestimento das paredes exteriores, também está presente. Quanto ao espaço envolvente, a calçada fica-lhe a matar. O granito das paredes funde-se com o granito do chão. Belo casamento.
Rafael Carvalho / Fev2010

sábado, 30 de janeiro de 2010

Explosão de cor na “Beira-Mar” (II)

Foto: Beira-Mar / Aveiro Mais uma casa intensamente colorida … Rafael Carvalho / Jan2010

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Azulejo de Aveiro - policromia e luz

Foto: Eixo - Aveiro
Foto: Beira-Mar / Aveiro
Foto: Beira-Mar / Aveiro
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Recobrindo fachadas com motivos pura e simplesmente geométricos ou em painéis com motivos etnográficos, históricos, religiosos, figuras populares ou comerciais, o azulejo constitui uma imagem de marca na região de Aveiro. Parece que os primeiros azulejos existentes nesta cidade remontam ao séc. XV, de que ainda restarão alguns exemplares no Convento de Santa Joana. Da autoria de Manuel Ferreira Rodrigues, relativo ao azulejo de Aveiro, o texto que a seguir transcrevo foi publicado no Blogue “João Pedros Dias’Blog” em Maio de 2004. + “…Mas é o azulejo que dá a toda a região de Aveiro uma personalidade bem vincada. Sobretudo o azulejo de finais de Oitocentos e das primeiras décadas do século das grandes guerras. Azulejo semi-industrial das fábricas de Aveiro. Azulejo de estampilha. De mil cores. De mil padrões. É o azulejo de fachada que dá à cidade uma riqueza cromática única. Caleidoscópica. De manhã, ou ao fim da tarde, a luz do sol esmaga-se estrondosamente contra as fachadas de azulejos, desmaterializando-as, esventrando-as, num espectáculo de revérberos brancos ou cores incendiadas. É também um património ameaçado. Porque é frágil. Demasiado frágil. Porque anda no ar um certo espírito novo-rico, ignorante e provinciano. Dissipador. Capaz de vender a alma ao diabo por um brilhozinho dourado de pechisbeque. O palacete do «brasileiro» Sebastião de Carvalho Lima – pai do escritor Jaime de Magalhães Lima e de Sebastião de Magalhães Lima, dirigente republicano e Grão-Mestre da Maçonaria portuguesa – foi o primeiro edifício da cidade a ter a fachada revestida de azulejo. (Hoje é sede da Associação de Municípios de Aveiro.) Estávamos em 1857. No ano seguinte, no Campeão do Vouga, segundo periódico local aveirense, pode ler-se: «Agora começou a moda do azulejo. Há um ano, não havia uma casa que o tivesse. Os proprietários contentavam-se com pinturas a cola. Apenas apareceram os primeiros azulejos na casa do Sr. Sebastião de Carvalho Lima, ao Carmo, todos quiseram pôr azulejo». Dez anos depois, a fachada da igreja da Misericórdia vestia-se de azulejo azul e branco estampilhado, fabricado também no Porto e aplicado por operários da Cidade Invicta. Até então, o azulejo recobria apenas o interior de igrejas e de palácios. Nos anos seguintes assistiu-se a uma profunda alteração da paisagem urbana. O azulejo protege e embeleza as frustes fachadas das casas, nomeadamente as que se ergueram com materiais pobres. O azulejo transfigura a arquitectura e valoriza a composição dos alçados pela força dinâmica das suas composições, pelos surpreendentes efeitos visuais dos seus padrões. E sem o azulejo a cidade não teria a delicada luminosidade cromática que a singulariza. É também o azulejo que distingue as manifestações arquitectónicas Arte Nova de Aveiro das demais. Manifestações artísticas epidérmicas, híbridas, de forte efeito cenográfico, que favorecem fachadas tipologicamente banais, mercê das potencialidades cromáticas, do brilho e da luz intensa do azulejo. É extraordinário que uma pequena cidade de província, escassamente urbanizada e industrializada, no início do século XX, detenha ainda um surpreendente conjunto de edifícios com decoração diversamente filiável na Arte Nova. Esse fenómeno ter-se-á ficado a dever, antes de mais, ao azulejo. Apesar do muito que já se perdeu, os painéis figurados de azulejos, em tons azuis, a maioria das três primeiras décadas de Novecentos, tem resistido melhor à usura do tempo e à cegueira dos homens. Neles, a cidade desnuda-se. Auto-retrata-se. As temáticas e as técnicas testemunham sensibilidade e um olhar atento aos movimentos artísticos que se sucediam. Caro visitante, depois dos encantadores painéis da estação do caminho-de-ferro, onde os pintores da Fábrica da Fonte Nova, Francisco Luís Pereira e Licínio Pinto, pintaram postais e fotografias de temas regionais, proponho-lhe que vá ao Parque do Infante D. Pedro. Delicie-se com o verismo fotográfico daquelas figuras femininas, que nos olham sorridentes há perto de um século, com a beleza ecléctica das cercaduras. Pelo caminho, certamente não deixará de se admirar com o sincretismo da composição e o apuro técnico dos belos postais alusivos às quatro estações, na Rua Manuel Firmino, com os magníficos rosas e verdes da fachada arte nova da Rua João Mendonça, com os painéis-cartazes publicitários da antiga Sapataria Leitão, com a monumentalidade dos azulejos que revestem a Casa das Zitas, na Praça Marquês de Pombal. Os percursos possíveis são muitos. Nas últimas duas décadas, alguns dos melhores artistas vivos da cidade deram continuidade a essa tradição. Com a assinatura de Vasco Branco, Cândido Teles, Jeremias Bandarra e José Augusto, aos poucos, aqui e ali, têm surgido painéis de azulejos de uma beleza extraordinária. Com outras técnicas. Com outras cores. Ao ceramista Vasco Branco, que também é escritor e cineasta, ficaremos em dívida eternamente pelos magníficos painéis da Praça da República e do Viaduto Aveiro-Esgueira. Beleza e monumentalidade. Esteja atento, caro visitante. Não se fie em guias turísticos e quejandos. Vá pelo seu pé. Vá com os sentidos despertos. Descubra por si. Percorra a cidade, rua a rua, e palmilhe as freguesias circunvizinhas. Dê uma saltadinha a Ílhavo e a Ovar. Será recompensado.”
Rafael Carvalho / Jan2010