domingo, 30 de maio de 2010

Seminário Cal&Pigmentos Ourique_25|26 Junho 2010

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Com este seminário, pretende-se chamar a atenção para a enorme diversidade e riqueza decorativa tradicional das fachadas do nosso património edificado, com especial atenção para o do Alentejo, demonstrando, em simultâneo e de forma prática, que a sua recuperação é possível e vantajosa. Local: Centro de Arqueologia Caetano de Mello Beirão (CACMB), em Ourique Consulte o programa do evento clicando aqui.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Argola-puxador em Vilarouco

Foto: Vilarouco, SJP + Poder-se-ia pensar ser um eventual piercing de porta! Puro engano... Nas portas das velhas construções durienses é frequente encontrar argolas de ferro servindo de puxadores. Este sistema finou-se, caiu em desuso!
Rafael Carvalho / Mai2010

segunda-feira, 24 de maio de 2010

2Pi

Foto: Vilarouco – SJP
+ As fotografias que compõem a imagem foram obtidas em Vilarouco, povoação do concelho de São João da Pesqueira. A porta e a janela que apresento surgem emolduradas lateral e superiormente por toscas lajes de xisto. Relativamente ao restante aparelho da casa, estas lajes destacam-se pela sua dimensão. As exíguas soleiras contribuem para acentuar o efeito Pi, uma alusão à dita letra do alfabeto grego.
Rafael Carvalho / Mai2010

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Janela em Vilarouco

Foto: Vilarouco, SJP
+ O motivo que hoje apresento localiza-se em Vilarouco, concelho de São João da Pesqueira. A arquitectura vernácula da região duriense usa e abusa da cor. O verde desta janela encantou-me e foi essa a razão pelo qual efectuei o disparo (da máquina entenda-se).
Rafael Carvalho / Mai2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

Varanda envidraçada na Granja do Tedo

Fto: Granja do Tedo - Tabuaço +
Continuamos por Granja do Tedo, homenageando mais uma vez o engenho e a arte populares. As varandas envidraçadas foram em tempos muito abundantes no Douro. Surgiam preferencialmente viradas a Sul, outras vezes a Este ou Poente, mas nunca a Norte. Permitiam maximizar o aproveitamento solar – um hino à apregoada sustentabilidade. Imagine-se quão agradável será ali a leitura de um livro (ou a cozedura de um par de meias), numa fria mas solarenga tarde de Inverno! O espécime exposto parece ter sido recuperado ainda há poucos anos, respeitando o edificado e os materiais tradicionais. Honrando o que de mais genuíno possuímos, dignificando e fortalecendo a nossa identidade, de Norte a Sul, em meio rural ou urbano, que outros lhe sigam o exemplo.
Rafael Carvalho / Mai2010

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Granja do Tedo – Jóia duriense

Foto: Granja do Tedo De Cardais, povoação dos meus últimos posts, parto em direcção à Granja do Tedo, aglomerado populacional do concelho de Tabuaço. De entre os povoados durienses, este é certamente um dos meus eleitos. Granja do Tedo recomenda-se pela forte identidade que ainda conserva, expressa na arquitectura do seu casario. Tabique e mais tabique, chapas garridamente pintadas, pedra e mais pedra, com muita madeira à mistura. Varandas suspensas, algumas desafiando há décadas a lei da gravidade… No exemplar exposto encantam-me as varandas com o tradicional ripado de madeira em espinha. As varandas assentam no prolongamento dos barrotes do soalho. Sobre os andares inferiores em alvenaria de pedra, o último andar em tabique. Curiosa é a cancela presente na porta principal. A cancela, uma vez aberta a porta, facilita o arejamento da casa quando a meteorologia assim o permite. E o que dizer da entrada para o gato? Na imagem é ainda visível a sinalética de um dos diversos percursos pedestres presentes na urbe, motivo adicional para uma visita.
Rafael Carvalho / Mai2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Aldrabas, puxadores e taramelas em Cardais

+ Foto: Cardais-Armamar + Ainda por Cardais, observando velhos acessórios de porta. Na primeira imagem uma aldraba. Na segunda um puxador, uma velha fechadura e uma taramela. A presença da taramela é novidade neste blogue. Moldada integralmente em madeira, atravessa a porta através de um furo. Ao ser girada, tal como a aldraba, mantém a porta travada quando necessário.
Rafael Carvalho / Mai2010

domingo, 9 de maio de 2010

Casa em Cardais

Foto: Cardais / Armamar
+ Rumo hoje a Cardais, povoação do concelho de Armamar, zona de transição entre o Alto-Douro e a Beira. Nesta povoação abundam belos exemplares da arquitectura vernácula. Porém poucos são aqueles que são blogáveis, dado o lamentável estado de degradação em que se encontram. Apesar de não ser propriamente um modelo de conservação, o exemplar da imagem é uma excepção. Possui três pisos, encontrando-se o primeiro – a loja – semi-enterrado. Recoberta pelo telhado da casa, a varanda marca vincadamente a fachada. A varanda assenta em lajes de granito, desviando-se do mais habitual lastro de madeira, solução mais frequente na região. Curiosa é a empoleirada e omnipresente videira, ainda sem folhas na altura em que o retrato foi tirado. Certamente contribuirá para refrescar o cálido Verão.
Rafael Carvalho / Mai2010

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Arquitectura Tradicional Portuguesa!

Foto: Cachorro, Pico, Açores
+ "De Norte a Sul do território nacional, sem esquecer as ilhas, as diferentes formas e características da nossa arquitectura tradicional espelham a riqueza da mesma, mas também reflectem a incúria e o abandono a que muito desse património está votado. Desde o granito e o xisto, até ao adobe e à taipa, passando pelas diferentes soluções arquitectónicas em espaço rural e urbano, é todo um manancial do ponto de vista cultural e patrimonial, o qual é ainda insuficientemente reconhecido e valorizado, sendo quase sempre alvo dos mais diversos atentados, ou simplesmente preterido em detrimento de projectos de gosto mais que duvidoso e sem qualquer enquadramento no espaço e na memória dos locais.A tão apregoada especulação imobiliária tem aqui uma responsabilidade evidente. Contudo, ainda será a ignorância e o desleixo, as grandes responsáveis pela destruição deste património. A crescente descaracterização do nosso espaço rural, o desordenamento urbanístico das nossas aldeias e cidades, deve-se a escolhas menos correctas de proprietários, mas também ao conluio de autarcas e outros responsáveis locais e nacionais, os quais não se preocupam em regulamentar, fiscalizar, aconselhar e apoiar quem pretende construir ou reconstruir um imóvel. Os pseudo modernismos são muitas vezes incentivados, como sendo sinal de desenvolvimento e progresso, como se para isso fosse necessário recriar uma pequena Amadora na serra do Marão, ou uma amostra de um subúrbio de Paris em plena Beira Alta. Como se não fizesse mais sentido dar continuidade a soluções apuradas por séculos de experiência, adaptadas ao solo, ao clima e à paisagem de cada lugar. Como se reconstruir ou construir uma casa em xisto, fosse sinónimo de pobreza, atraso e falta de qualidade de vida. Como se não fosse possível conciliar volumetrias e materiais tradicionais, com conforto e funcionalidade. O lugar da arquitectura moderna, ou que se cria e constrói no nosso tempo, estará sempre assegurado pelo natural crescimento dos espaços habitados pelo Homem, dando resposta a desafios próprios desse crescimento e das sociedades actuais. Contudo, o espaço para a arquitectura tradicional deveria ser sempre acautelado, garantido que saberes antigos, como sejam as técnicas de construção, possam ser preservados para o futuro, contribuindo assim para a salvaguarda de um importante objecto do nosso património cultural e para a harmonia dos nossos espaços rurais e urbanos."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Velha aldraba em casa nova...

Foto: Aldeia de Cima - Armamar + Passados alguns meses a blogar casas alheias, chegou o momento de começar a blogar em casa própria. Referem-se as imagens a duas aldrabas, presentes em duas das portas da minha casa nova. Votadas ao abandono recuperei-as a tempo. Anacronismo! Penso que não… Quando a electricidade falha, e não só, substituem com primor a campainha eléctrica. A maia dependurada foi lá posta na véspera do dia 1º de Maio. Dita a tradição que tal acto seja feito, sob pena do burro, personificação do diabo, entrar em casa. Não vá o diabo tecê-las! …
Rafael Carvalho / Mai2010