quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Palheiro em Fráguas

Foto: Fráguas – Vila Nova de Paiva A minha passagem por Fráguas revelou-se uma surpresa. Nesta povoação do concelho de Vila Nova de Paiva, ainda subsistem em relativo bom estado diversos exemplares da nossa arquitectura vernácula. O edifício da imagem, modesto palheiro, encantou-me. Pedra sobre pedra, granítica no caso, alvenaria de junta-seca. Com uma única porta e uma única janela por aberturas, o edifício deliciou-me pela sua simplicidade. A rudeza da construção contrasta com o mimo do azul celeste com que a sua porta foi pintada, desgastada agora pela passagem do tempo e pela incúria do homem.
Rafael Carvalho / Dez2010

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Covas do Monte - 2500 cabras / 5000 cornos

Foto: Covas do Monte / S. Pedro do Sul
+ Regressamos a Covas do Monte. Quando por lá andei cruzei-me com um dos maiores, senão o maior rebanho do país - cerca de 2500 cabras, 5000 cornos. Em direcção ao monte, entre brados que só a bicharada compreende, todos os dias sai da aldeia um pastor, pobreiro como aqui lhe chamam. Trata-se de um sistema de pastoreio comunitário, dando por ano cada pobreiro um número de dias de trabalho proporcional ao número de cabeças de gado que possui. Os animais pela manhã saiem sozinhos das cortes em direcção ao ponto de encontro. À noite, também sozinhos, fazem o percurso inverso. Em registo áudio, poderá aqui conhecer estas e outras histórias.
Rafael Carvalho / Nov2010

sábado, 27 de novembro de 2010

SALVEM OS PALHEIROS DA COSTA DA CAPARICA -Petição

Foto obtida aqui
+ O CostaPolis ameaçou demolir as últimas casas típicas da Costa da Caparica, em frente à Praia da Saúde e até à Praia da Mata. Todas as outras foram já destruídas. Há cerca de 100 anos, toda a Costa era constituída por este tipo de casas. É evidente que as autoridades não se aperceberam que estas edificações não são barracas de uma qualquer periferia urbana, mas sim valiosos exemplares das construções dos pescadores, os Palheiros, que se podem encontrar ainda em certos sítios da costa atlântica portuguesa e em alguns pontos das margens do Tejo e do Sado. Em muitos casos, como na Costa Nova, a sua tipologia foi adaptada à construção moderna, como as famosas casas “de pijama”. O caso específico destas casas da Costa da Caparica é ainda mais interessante, uma vez que várias delas foram trazidas sobre troncos pela praia, puxadas por juntas de bois, desde a Cova do Vapor, havendo mesmo relatos de alguns Palheiros serem transportados do Dafundo em barcaças. Há diversos estudos sobre os Palheiros, como o da Profª Doutora Raquel Soeiro de Brito, que em 1958 publicou o seu famoso estudo sobre os Palheiros de Mira. A autora considera hoje – na sua qualidade de vice-presidente da Academia de Marinha – que se os decisores tivessem tido o bom senso e a visão estratégica e cultural necessárias, poderíamos hoje estar a falar desses mesmos Palheiros de Mira como um património da Unesco. O que se verifica, pelo contrário, é que na Praia de Mira, só para dar este exemplo paradigmático, dos mais de trezentos palheiros históricos ali existentes há somente 50 anos atrás, existem hoje pouco mais de três! Sendo construções históricas, a tipologia dos palheiros encontra-se muito bem estudada e identificada por investigadores clássicos como José Leite de Vasconcelos, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano, Benjamim Pereira, entre vários outros. O próprio Raul Brandão, que viveu parte da sua vida na Praia de Mira, refere-se detalhadamente aos Palheiros. Este património que agora se quer destruir na Costa da Caparica tem sido cenário de inúmeras sessões de fotografia de moda, cenário de telenovelas (Mar de Paixão, TVI), postais ilustrados, artigos de revista, inclusivamente na da TAP como destino turístico original. É simplesmente inacreditável que não se compreenda que o património é uma mais valia para o turismo e para o desenvolvimento, não uma ameaça. Os proprietários das casas não estão a pedir subsídios do estado, eles querem fazer a sua manutenção e preservar o património. Há muitos anos que as autoridades não lhes permitem fazer obras de manutenção porque “é tudo para ir abaixo”. Os proprietários não são ilegais. Têm toda a documentação que legitima a sua presença. Mais, os proprietários propõem-se, além da recuperação e manutenção das casas, contribuir para a sua qualificação cultural, e deste modo para a qualificação da oferta turística da Costa da Caparica. Começaram já, com o apoio da Comissão da Candidatura da Cultura Avieira a Património Nacional, a trabalhar nesse sentido. Foi igualmente contactada a Associação de Moradores da Cova do Vapor para também trabalhar no mesmo sentido. A sua situação, sendo substancialmente diferente, partilha no entanto os efeitos destruidores da incompreensão do valor do património cultural dos pescadores. A Costa da Caparica tem perdido todas as suas referências identitárias, seguindo uma concepção de desenvolvimento cujo destino conhecemos todos muito bem: temo-lo visto em inúmeras zonas do nosso litoral e ninguém fica feliz com ele. A alma da Costa da Caparica são os pescadores e a sua cultura, sem ela resta o subúrbio à beira mar. Todos temos a ganhar na preservação do património, ele é um factor de riqueza. A cultura dos pescadores, os pobres entre os pobres, como dizia Raul Brandão, tem sido sistematicamente negligenciada, até pela pobreza dos materiais empregues, os únicos possíveis dadas as circunstâncias. No entanto, são manifestações culturais de uma comunidade centenária, riquíssima de tradições e uma voz de coragem no sofrimento, de preserverança e solidariedade na aflição. Os actuais proprietários já não são pescadores, são os guardiães dessa herança e têm as suas memórias, na sua maioria ao longo de três gerações, intimamente ligadas estas casas. Para quem conhece a Costa da Caparica há muitos anos, também são parte da nossa memória. Neste momento temos, por um lado, a destruição pura e simples e, por outro, esta proposta de qualificação, de reforço da identidade, de um futuro mais humanizado. Assinar esta petição é mais do que salvar cerca de 40 casas, é dar uma oportunidade de qualificar a Costa da Caparica e fazer uma ponte com o seu passado, reforçando a sua identidade. Assinar esta petição é recusar a destruição da memória e dar oportunidade a um futuro em que os sítios, as coisas e as pessoas fazem sentido.
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Para assinar a petição, clique aqui.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Assinatura Petrificada

Foto: Covas do Monte / S. Pedro do Sul
Gravado na pedra em numeração árabe ou romana, é relativamente banal nos edifícios antigos a presença da data da sua construção. Menos frequente é a assinatura do proprietário, coisa que vi em Covas do Monte.
Rafael Carvalho / Nov2010

domingo, 21 de novembro de 2010

Arquitectura vernácula em Covas do Monte

Foto: Covas do Monte / São Pedro do Sul + Ainda pelo maciço da Gralheira, desta feita em Covas do Monte. Gostei da casa da imagem, de onde destaco o pórtico de acesso ao pátio. Na padieira a data de 1837 - a construção remonta há quase dois séculos. Pedra e madeira / materiais industriais ausentes. Com os vãos guarnecidos a granito e cobertura de ardósia, o grosso da construção é em xisto.
Rafael Carvalho / Nov2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Capela de São Macário

Foto: S. Macário – S. Pedro do Sul + Cercada por uma verdadeira muralha, eis a capela de São Macário de Cima. A muralha não serve de protecção contra os bandidos ou quaisquer outros invasores. Trata-se simplesmente de um resguardo contra o vento que aí sopra forte.
Rafael Carvalho / Nov2010

sábado, 13 de novembro de 2010

Engenho Popular na Pena

Foto: Aldeia da Pena – S. Pedro do Sul + Com a mudança dos tempos o povo adapta-se. O engenho popular continua a evoluir e a imagem que hoje apresento é disso uma prova.
Rafael Carvalho / Nov2010

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Trio de janelas na Pena

Foto: Aldeia da Pena - S. Pedro do Sul +
Numa casa da Pena deparei-me com o trio de janelas que a figura ilustra. Com robustas molduras graníticas, achei curiosas estas janelas cor de esmeralda.
Rafael Carvalho / Nov2010

domingo, 7 de novembro de 2010

RTP - Regresso ao Campo

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Querem mudar de vida, tal como os seus pais e avós, mas têm outros valores... João Carvalho viveu onze anos em Londres. Teve êxito, mas fartou-se do frenesim citadino e dos horários das 9 às 5. Optou por uma existência mais simples. Veio viver com a mulher e o filho recém-nascido para uma casa velha que comprou na Benfeita, em Arganil. Está a reconstruir a casa pelas suas próprias mãos. Só usa ferramentas manuais, e o mínimo de cimento ou de combustíveis fósseis. O casal é vegetariano. Por isso, quando chega a hora de almoço, Claire só tem de descer às hortas abandonadas mais próximas para colher a refeição. Também já fizeram vinho e cinquenta litros de azeite. João desistiu propositadamente de uma vida com torradeiras e aquecimento eléctrico. Podia tê-la sem dificuldade, mas quer “viver com menos”, como diz. Claire e João são um exemplo de um grupo de novos rurais com crescente implantação nalgumas partes esquecidas de Portugal, como a serra da Lousã ou o barrocal algarvio. Os primeiros destes neo-rurais eram estrangeiros. Vinham de uma Europa Central então ameaçada por Chernobyl. Por cá, desde os anos quarenta do século passado que as migrações eram em direcção às cidades. Foi este êxodo que transformou Portugal num país macrocéfalo, com um interior cada vez mais desertificado e a população concentrada no Litoral e na Grande Lisboa. Mas o mundo rural mudou muito nos últimos trinta anos. Os tractores substituíram o trabalho braçal. Hoje também há supermercados, auto-estradas, subsídios comunitários, Internet. Iniciou-se outra migração interna, a mudança para o campo dos ex-citadinos, e os geógrafos até já distinguem diferentes grupos de “neo-rurais”: os que partem por motivação ecológica, os que na reforma regressam à terra natal, aqueles que se dedicam ao tele-trabalho, e até os desempregados por causa da crise... São algumas dessas pessoas que o documentário vai encontrar. “Valorizam o seu próprio tempo e modos de vida mais solidários “ – explica a geógrafa Teresa Alves – “e vão à procura de actividades em equilíbrio com a natureza. Também são pessoas que têAdicionar imagemm uma cultura de território e que buscam um lugar específico onde possam ser felizes”.
+ Dedicado aos neo-rurais e emitido no dia 1 de Novembro, eis as palavras de apresentação do documentário “Regresso ao Campo”. Com a duração de 51 minutos, é um documentário de Paulo Silva Costa, com imagem de Rui Lima Matos, edição de João Gama, sonorização de Luís Mateus e produção de João Barrigana. Poderá visualizar o programa completo aqui. Se preferir veja aqui um excerto do mesmo documentário, com a duração aproximada de 10 minutos.
Rafael Carvalho / Nov2010

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Aldeia da Pena – que bela aldeia a nossa!

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Foto: Aldeia da Pena, S. Pedro do Sul
+ Dizia-me o amigo Armando, autor do blogue raízes, que a Aldeia da Pena era a sua aldeia. Tal afirmação não tinha a ver com o facto de lá viver ou por lá ter nascido. A afirmação simplesmente deriva do impacto da sua primeira visita há 20 anos atrás.
Que bela aldeia a dele. Que bela aldeia a nossa! Relativamente às imagens que ilustram o presente post, a primeira foi capturada no mesmo local que descrevi nas minhas últimas duas mensagens. Da casa em pano de fundo destaco o telhado de ardósia, solução omnipresente em toda a Pena. A segunda imagem capturei-a a algumas dezenas de metros da primeira. Ilustra o vale e a paisagem circundante. Felicitações amigo Armando. Que bela aldeia a nossa!
Rafael Carvalho / Nov2010