segunda-feira, 8 de Fevereiro de 2010

Casa em Quintandona


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Recentemente recuperada, a casa em xisto que hoje apresento localiza-se em Quintandona, concelho de Penafiel.
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O acesso à dita faz-se por um belo pórtico recoberto por um telhado de quatro águas, solução frequente na região. O pórtico abre-se para um pátio interior. A casa acaba por ser uma pequena fortaleza.
Curioso é o beiral de ardósia, reminiscência do tempo em que toda a cobertura era feita desse material.
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Da fachada lateral direita destaca-se uma harmoniosa janela emoldurada em granito.
Xisto, granito, madeira e uma dúzia de laranjas, que bela combinação…
Rafael Carvalho / Fev2010

sexta-feira, 5 de Fevereiro de 2010

Aldeias de Magaio


Aldeia da Pena - Foto obtida aqui
A Associação Aldeias de Magaio é uma entidade de coordenação de actividades de promoção cultural, ambiental, social e económica nas zonas serranas do Concelho de S. Pedro do Sul - aldeias do Maciço da Gralheira e do vale do Rio Paiva.
Nas Aldeias de Magaio (Pena, Covas do Monte, Nodar, …) persistem com grande força as actividades tradicionais ligadas à agricultura e à criação de gado de montanha, bem como a arquitectura tradicional, o que confere às aldeias no seu conjunto um carácter de autenticidade difícil de encontrar em outras zonas rurais.
A partir desta data o projecto “Aldeias de Magaio” passa a constar na minha lista de hiperligações.
Aceda a “Aldeias de Magaio” clicando em
Rafael Carvalho /Fev2010

terça-feira, 2 de Fevereiro de 2010

Quinta do Outeiro - Amarante


Foto: Outeiro - Amarante
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O edifício que hoje apresento localiza-se em Amarante. Aparentemente trata-se de uma reconstrução.
O conjunto em causa agrada-me. Fascinam-me as paredes de pedra.
A madeira das portas, das janelas e das paredes, aquece-me a alma!
A negra ardósia, usada tradicionalmente na região como revestimento das paredes exteriores, também está presente.
Quanto ao espaço envolvente, a calçada fica-lhe a matar. O granito das paredes funde-se com o granito do chão. Belo casamento.
Rafael Carvalho / Fev2010

sábado, 30 de Janeiro de 2010

Explosão de cor na “Beira-Mar” (II)


Foto: Beira-Mar / Aveiro
Mais uma casa intensamente colorida …
Rafael Carvalho / Jan2010

quarta-feira, 27 de Janeiro de 2010

Azulejo de Aveiro - policromia e luz


Foto: Eixo - Aveiro
Foto: Beira-Mar / Aveiro

Foto: Beira-Mar / Aveiro
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Recobrindo fachadas com motivos pura e simplesmente geométricos ou em painéis com motivos etnográficos, históricos, religiosos, figuras populares ou comerciais, o azulejo constitui uma imagem de marca na região de Aveiro.
Parece que os primeiros azulejos existentes nesta cidade remontam ao séc. XV, de que ainda restarão alguns exemplares no Convento de Santa Joana.
Da autoria de Manuel Ferreira Rodrigues, relativo ao azulejo de Aveiro, o texto que a seguir transcrevo foi publicado no Blogue “João Pedros Dias’Blog” em Maio de 2004.
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“…Mas é o azulejo que dá a toda a região de Aveiro uma personalidade bem vincada. Sobretudo o azulejo de finais de Oitocentos e das primeiras décadas do século das grandes guerras. Azulejo semi-industrial das fábricas de Aveiro. Azulejo de estampilha. De mil cores. De mil padrões. É o azulejo de fachada que dá à cidade uma riqueza cromática única. Caleidoscópica. De manhã, ou ao fim da tarde, a luz do sol esmaga-se estrondosamente contra as fachadas de azulejos, desmaterializando-as, esventrando-as, num espectáculo de revérberos brancos ou cores incendiadas. É também um património ameaçado. Porque é frágil. Demasiado frágil. Porque anda no ar um certo espírito novo-rico, ignorante e provinciano. Dissipador. Capaz de vender a alma ao diabo por um brilhozinho dourado de pechisbeque. O palacete do «brasileiro» Sebastião de Carvalho Lima – pai do escritor Jaime de Magalhães Lima e de Sebastião de Magalhães Lima, dirigente republicano e Grão-Mestre da Maçonaria portuguesa – foi o primeiro edifício da cidade a ter a fachada revestida de azulejo. (Hoje é sede da Associação de Municípios de Aveiro.) Estávamos em 1857. No ano seguinte, no Campeão do Vouga, segundo periódico local aveirense, pode ler-se: «Agora começou a moda do azulejo. Há um ano, não havia uma casa que o tivesse. Os proprietários contentavam-se com pinturas a cola. Apenas apareceram os primeiros azulejos na casa do Sr. Sebastião de Carvalho Lima, ao Carmo, todos quiseram pôr azulejo». Dez anos depois, a fachada da igreja da Misericórdia vestia-se de azulejo azul e branco estampilhado, fabricado também no Porto e aplicado por operários da Cidade Invicta. Até então, o azulejo recobria apenas o interior de igrejas e de palácios. Nos anos seguintes assistiu-se a uma profunda alteração da paisagem urbana. O azulejo protege e embeleza as frustes fachadas das casas, nomeadamente as que se ergueram com materiais pobres. O azulejo transfigura a arquitectura e valoriza a composição dos alçados pela força dinâmica das suas composições, pelos surpreendentes efeitos visuais dos seus padrões. E sem o azulejo a cidade não teria a delicada luminosidade cromática que a singulariza.
É também o azulejo que distingue as manifestações arquitectónicas Arte Nova de Aveiro das demais. Manifestações artísticas epidérmicas, híbridas, de forte efeito cenográfico, que favorecem fachadas tipologicamente banais, mercê das potencialidades cromáticas, do brilho e da luz intensa do azulejo. É extraordinário que uma pequena cidade de província, escassamente urbanizada e industrializada, no início do século XX, detenha ainda um surpreendente conjunto de edifícios com decoração diversamente filiável na Arte Nova. Esse fenómeno ter-se-á ficado a dever, antes de mais, ao azulejo.
Apesar do muito que já se perdeu, os painéis figurados de azulejos, em tons azuis, a maioria das três primeiras décadas de Novecentos, tem resistido melhor à usura do tempo e à cegueira dos homens. Neles, a cidade desnuda-se. Auto-retrata-se. As temáticas e as técnicas testemunham sensibilidade e um olhar atento aos movimentos artísticos que se sucediam.
Caro visitante, depois dos encantadores painéis da estação do caminho-de-ferro, onde os pintores da Fábrica da Fonte Nova, Francisco Luís Pereira e Licínio Pinto, pintaram postais e fotografias de temas regionais, proponho-lhe que vá ao Parque do Infante D. Pedro. Delicie-se com o verismo fotográfico daquelas figuras femininas, que nos olham sorridentes há perto de um século, com a beleza ecléctica das cercaduras. Pelo caminho, certamente não deixará de se admirar com o sincretismo da composição e o apuro técnico dos belos postais alusivos às quatro estações, na Rua Manuel Firmino, com os magníficos rosas e verdes da fachada arte nova da Rua João Mendonça, com os painéis-cartazes publicitários da antiga Sapataria Leitão, com a monumentalidade dos azulejos que revestem a Casa das Zitas, na Praça Marquês de Pombal. Os percursos possíveis são muitos.
Nas últimas duas décadas, alguns dos melhores artistas vivos da cidade deram continuidade a essa tradição. Com a assinatura de Vasco Branco, Cândido Teles, Jeremias Bandarra e José Augusto, aos poucos, aqui e ali, têm surgido painéis de azulejos de uma beleza extraordinária. Com outras técnicas. Com outras cores. Ao ceramista Vasco Branco, que também é escritor e cineasta, ficaremos em dívida eternamente pelos magníficos painéis da Praça da República e do Viaduto Aveiro-Esgueira. Beleza e monumentalidade.
Esteja atento, caro visitante. Não se fie em guias turísticos e quejandos. Vá pelo seu pé. Vá com os sentidos despertos. Descubra por si. Percorra a cidade, rua a rua, e palmilhe as freguesias circunvizinhas. Dê uma saltadinha a Ílhavo e a Ovar. Será recompensado.”
Rafael Carvalho / Jan2010

sábado, 23 de Janeiro de 2010

Aveiro - palheiros do Sal do Canal de São Roque


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O mar e a Ria conferem à cidade de Aveiro um conjunto de especificidades que a tornam única no quadro urbano nacional.
Uma das especificidades prende-se com a secular exploração de sal que esteve na origem do povoamento aveirense.
Quais janelas espelhadas, mantenho permanentemente as salinas no meu imaginário.
O sal produzido é armazenado em montes cónicos. Para evitar a exposição à chuva com consequente dissolução do sal, os montes eram inicialmente cobertos com junça ou bajunça (gramínea abundante na região) e terra arrelvada. A era do plástico revolucionou a cobertura. A forma contudo mais eficaz de armazenar o sal é no interior dos palheiros, construções de madeira como as da imagem.
Os palheiros expostos localizam-se no “Cais de S. Roque”, durante muito tempo o centro do comércio do sal em Aveiro. De planta rectangular e empena sobre a rua, os palheiros do Cais de S. Roque possuem telhados de duas águas. O tabuado, pintado a vermelhão, vê-se disposto na horizontal.
Vindos das salinas, em miúdo perdia horas a apreciar a azáfama dos barcos salineiros a atracar e a partir. Como formigas num carreiro, dos barcos e em direcção aos palheiros, o sal era transportado em canastras à cabeça dos estivadores descalços.
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Enquanto alguns palheiros definham, outros, como o da imagem agora exposta, são convertidos em locais de restauração e convívio.
Algumas das novas construções do cais, não sei se por imposição camarária ou por vontade dos donos, são reinterpretações desta forma de construir.
O «Conjunto de Armazéns do Sal do Canal de São Roque» encontra-se em "Vias de Classificação" pelo IPPAR.
A Universidade de Aveiro realizou um congresso dedicado ao sal, com vista à elevação do salgado a património. Procura também estudar a viabilidade da recuperação de toda a estrutura constituinte da indústria do salgado da Ria de Aveiro, de que os palheiros fazem parte.
Rafael Carvalho / Jan2010

quarta-feira, 20 de Janeiro de 2010

Arquitectura vernácula da Beira Litoral


Foto: Quinta do Loureiro, Aveiro
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O espécime da imagem localiza-se na Quinta do Loureiro, povoação do concelho de Aveiro. Pertence a um modelo arquitectónico que durante décadas serviu de base à construção em grande parte da Beira Litoral, especialmente entre os rios Vouga e Mondego.
Casa rural construída em adobe , à face com o caminho, da fachada destaca-se a porta-carral. Este elemento permite o acesso do carro de bois ao pátio localizado nas trAdicionar imagemaseiras do edifício. O pátio, centro da vida agrícola, é limitado pela habitação, corrais, galinheiros, celeiros e demais dependências agrícolas.
Este tipo de casa-pátio tem remota filiação na arquitectura árabe ou mesmo romana, que recorre a espaços organizados em planta centrada, abertos para o interior.
Tal como em muitas outras edificações da região, o presente exemplar encontra-se revestido a azulejo, havendo contudo outros exemplares simplesmente rebocados e caiados.
Janela/porta/janela -- porta-carral, constitui o modelo de habitação térrea mais simples existente na região. Subsistem no entanto variantes com mais janelas e/ou portas, consoante o número de divisões interiores e o poder económico do proprietário.
Por debaixo de cada janela, ampliando a imagem, é possível observar os orifícios de ventilação do soalho. As molduras das portas e janelas, desenhadas superiormente em arco, são lavradas em granito. Mais ao sul, para o mesmo efeito é usado o calcário – a conhecida e reconhecida “Pedra Ança”.
Suportado por asnas de madeira, este tipo de construção possui telhado de duas águas, em telha marselha, rematado no beiral com telha de canudo.
Sob o beiral, em todo o comprimento, a casa da imagem possui um friso em azulejo. Os frisos são elementos decorativos muito comuns na região, sendo por vezes pintados directamente sobre o reboco. Os frisos podem ou não possuir relevo.
Na fachada da figura, um rodapé cinzento faz a transição com o chão. O rodapé, pintado ou em granito, está quase sempre presente nas casas deste tipo.
Infelizmente já não é fácil encontrar exemplares representativos deste modelo arquitectónico em tão bom estado de conservação como o da gravura. Falta sensibilidade para a preservação deste património que é visto com indiferença pelos particulares, autarquias e demais instituições.
A destruição do património arquitectónico civil da Beira Litoral e a sua substituição por tipologias de proveniência duvidosa e desproporcionada, adultera e fere a paisagem povoada. Qual espécie animal ou vegetal em vias de extinção, se não forem tomadas medidas em breve não restará um único exemplar de pé. É pois desejável que se conjuguem esforços no sentido de preservar pelo menos os mais significativos exemplares desta humilde, bela e funcional arquitectura.
Rafael Carvalho / Jan2010
Para saber mais sobre a casa tradicional da zona litoral central, consultar:
"Arquitectura Tradicional Portuguesa"
de Fernando Galhano , Ernesto Veiga De Oliveira
Dom Quixote, edição 2000