terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Nossa Sra. do Socorro


Foto: Bairro do Castelo, Lamego
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A avantajada imagem (perdoem-me a má educação), representa a N. Sra. do Socorro.
O painel encontra-se afixado no Bairro do Castelo, em Lamego.
Se não fossem as suas proporções, certamente não lhe tinha dado grande importância.
Rafael Carvalho / Dez2009

sábado, 5 de Dezembro de 2009

Chapa zincada – nobre material!!!...


Foto: Bairro do Castelo, Lamego
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Rés-do-chão em pedra, primeiro andar em tabique, desta feita revestido a chapa garridamente pintada. Eis mais um exemplar “puro” da arquitectura vernácula alto-duriense.
Durante muitos anos, a ardósia teve a exclusividade no revestimento de tabiques. A introdução da chapa para o mesmo fim, parece inicialmente não ter sido pacífica.
A chapa, alvo a abater no passado, é hoje para mim, na Arquitectura D’Ouro, um dos mais nobres materiais.
Rafael Carvalho / Dez2009

quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Enraizamento


Foto: Lamego
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Para quem julga que pode viver sem o precedente, para quem vê na tradição um alvo a abater, para quem despreza a cultura local e venera a niveladora globalização, recomendo uma leitura atenta ao poema “Enraizamento” da filósofa francesa Simone Weil (1903-1943).
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Seria fútil afastarmo-nos do passado
e só pensarmos no futuro.
Já é perigoso e ilusório acreditar
que tal possibilidade existe.
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A oposição entre futuro e passado é absurda.
O futuro nada nos traz, nada nos dá.
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Somos nós que, para o construir,
temos de dar-lhe tudo, dar-lhe a nossa própria vida.
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Mas para dar é preciso possuir,
e não possuímos outra vida,
outra seiva,
que não sejam os tesouros herdados do passado
por nós digeridos, assimilados, recriados.
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De todas as necessidades da alma humana,
não há nenhuma mais vital do que o passado.
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Excertos de L'enracinement,
Éditions Gallimard, Paris, 1950.
Rafael Carvalho / Dez2009

domingo, 29 de Novembro de 2009

Lamego – por terras da Princesa Ardínia


Foto: Lamego
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A fotografia capta algumas das edificações da Praça do Comércio, junto do Bairro do Castelo, em Lamego.
Estreitos e com vários andares, os edifícios acabam por plagiar a torre que lhes serve de pano de fundo…
Sobre o castelo e os seus habitantes contam-se algumas lendas, como a que seguidamente descrevo.
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No tempo em que Mouros e Cristãos lutavam pela posse de Lamego, viveu no seu Castelo um Rei Mouro de nome Alboacém, pai de uma linda princesa chamada Ardínia (1).
Dom Tedom Ramires, cavaleiro cristão, bisneto do Rei de Leão D. Ramiro II, enamorou-se pela princesa quando um dia disfarçado veio a Lamego. Esse primeiro encontro aconteceu numa noite de luar junto ao laranjal do castelo.
Os encontros sucederam-se, mas, como Alboacém não consentia o casamento, os jovens apaixonados fugiram para o Convento de São Pedro das Águias, onde o abade Gelásio os casou.
O Rei Mouro ao perceber a traição da filha, foi pessoalmente ao seu esconderijo e aí mesmo a matou. O seu corpo depois de esquartejado foi lançado ao rio Távora.
Dom Tedom ao saber das notícias nunca mais se quis casar. Veio depois a ser morto em combate pelos muçulmanos junto ao
rio Tedo, que por isso tomou o seu nome.
Nos Invernos em que o Castelo de Lamego se envolve em nevoeiro, conta-se que a alma da princesa Ardínia paira sobre o mesmo...
Por vezes ainda hoje as águas do rio Távora aparecem vermelhas, porque o sangue de Ardínia, dizem, as tingiu.
(1) Ardínia ou Ardinga, consoante as fontes.
Rafael Carvalho / Nov2008

quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Barrote


Foto: Santiago, Armamar
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Sem ver o modelo ao vivo, dificilmente será possível adivinhar o que é que a imagem de hoje ilustra.
Entalado nas pedras de uma das paredes laterais, exposto às intempéries e à passagem do tempo, trata-se simplesmente da face exterior de um dos barrotes do soalho do primeiro andar da construção que seguidamente apresento.
Rafael Carvalho / Nov2009

domingo, 22 de Novembro de 2009

Tosca janela em Santiago


Foto: Santiago, Armamar
Continuo por Santiago, desta feita mostrando uma tosca mas bela janela.
Esbatida pelo tempo - meteorológico e cronológico, a portada surge pintada em tons rubros. Votada ao esquecimento, a rubra cor foi em tempos muito usada na região.
A casa onde se insere é construída em granito não rebocado. A rudeza é tal que as juntas entre as pedras não possuem qualquer argamassa, como aliás se pode confirmar pela imagem.
Rafael Carvalho / Nov2009

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Argola


Foto: Santiago, Armamar
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Ao percorrer as muitas aldeias durienses, sou seguido diversas vezes de perto pelos meus filhos Diogo e Catarina, de 8 e 9 anos respectivamente.
Nessas incursões, tenho o cuidado de com eles conversar sobre o património invisível pelo qual vamos passando.
Invisível porque mesmo passando por ele todos os dias, são efectivamente poucos aqueles que nele reparam.
São exemplos desse património as aldrabas, batentes e puxadores de porta, fabricados pelos mestres ferreiros actualmente inactivos. Património invisível são certamente também as argolas ainda existentes que, uma vez chumbadas na parede, permitiam prender os animais quadrúpedes: gado muar, asinino, cavalar ou bovino. Pergunto eu durante quanto mais tempo haverá memória deste facto. Evidentemente não obtenho resposta.
Rafael Carvalho / Nov2009