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sexta-feira, 29 de março de 2013

Velha Aldraba em Cabroelo



Foto: Cabroelo / Penafiel
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As velhas ferragens de porta sempre me fascinaram. Com formato de cobra, junto esta aldraba a muitas outras já aqui publicadas.
Rafael Carvalho / mar2013

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Carnaval em Podence






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Passados quase dois anos após a minha primeira visita a Podence, regressei. Escolhi desta feita o dia de Carnaval, data mágica nesta e noutras aldeias do distrito de Bragança, Nordeste de Portugal. 
Longe dos massificados carnavais presentes nalgumas povoações do litoral, é aqui no Portugal profundo que me sinto bem. 
Em Podence, a meio da tarde de ontem, todas as ruas e ruelas desembocavam na Casa do Careto. Homens e mulheres acotovelavam-se. As moças novas colocavam-se a jeito de serem chocalhadas (1). As mais velhas, lembrando outros tempos, também. Escondidas atrás das mães, uma ou outra pré-adolescente, tentava adiar o dia do seu batismo. Descendo apressadamente a rua principal, como demónios coloridos urrando e chocalhando, chegam finalmente os caretos. 
Identidade, tradição e cultura popular cimentados pelo passar dos anos - é aqui no Portugal profundo que me sinto bem.

(1) Dependurados à cintura, os caretos possuem  na zona dorsal uma ou mais fiadas de chocalhos, os mesmos que se usam no pescoço dos animais. Na presença de uma moça, abraçam-na lateralmente e abanando as ancas  roçam-na com os chocalhos, uma intimidade apenas permitida por alturas do Carnaval.
Rafael Carvalho / fev2012

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Rue de Santo Antonho


Foto: Vila Chã da Braciosa - M.da do Douro
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A língua mirandesa, ou mirandês, é um idioma pertencente ao grupo asturo-leonês, com estatuto de segunda língua oficial em Portugal, reconhecida oficialmente e assim protegida. É falada por menos de quinze mil pessoas no concelho de Miranda do Douro e em três aldeias do concelho de Vimioso, num espaço de 484 km², estendendo-se a sua influência por outras aldeias dos concelhos de Vimioso, Mogadouro, Macedo de Cavaleiros e Bragança.


sexta-feira, 2 de março de 2012

Lazarim, ainda…

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Tabiques, ardósias, rebocos a cal, madeiras, chapas garridamente pintadas, varandas suspensas, pedra e muita pedra ...
… palavras introdutórias ao meu blogue. Acrescento ruralidade, tradição, autenticidade.
Num mundo globalizado, obcecado pela niveladora padronização, tudo isto e muito mais ainda sobrevive em Lazarim, terra de caretos.
A arquitetura vernácula local, de habitação ou produção, é rica e diversificada nos materiais que usa, criando texturas únicas. A ruralidade está estampada nos espigueiros que por aqui ainda vão sobrevivendo. A água escorre pelos ribeiros e lameiros, criando uma atmosfera ímpar. A verdadeira explosão de tradição e autenticidade acontece no Carnaval – caretos a percorrerem os estreitos becos, testamentos, compadres e comadres entre caldos de farinha, feijoada e vinho.
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Apenas que nasci,
Ouvi minha mãe dizer:
Ó que triste sorte a minha,
Que pelém me foi nascer!
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Na semana dos compadres,
Ó que semana maldita!
Já não tinha que me dar
Deram-me tripas de pita.
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Vou começar no padrão
Escutai o que vos digo!
Há lá tanto solteirão
Que até parece castigo.
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O testamento é do padrão,
Vai ser um de verdade!
É o menino Manel,
Que é o mais velho da mocidade.
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A este menino,
Que lhe havemos de dizer.
Deixamos-lhe a dentadura do burro
Que a dele está a apodrecer.
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O defeito que tu tens,
São essas tuas cantigas.
Ligas mais aos rapazes
Que às raparigas.
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Excerto do Testamento da Comadre do ano de 1973

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Carnaval de Lazarim / 2012

Foto: Lazarim, Lamego
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Entre os últimos exemplares da arquitetura vernácula local, habitações e espigueiros, mais uma vez se cumpriu o Carnaval de Lazarim.
Para delícia dos visitantes de ocasião munidos das suas máquinas fotográficas, os caretos, transformados em verdadeiros modelos, posam junto a um velho muro de pedra. Transpira-se ruralidade e tradição…
Diversidade é o que mais se vê, não só nas casas mas também nas máscaras e nas vestes …
Texturas e mais texturas, cores e mais cores. De origem mineral ou vegetal uma grande panóplia de materiais…
Rafael Carvalho / fev2012

sábado, 14 de janeiro de 2012

TSF - Cabo Espichel / entre a terra e o mar

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"Nesta emissão vamos de visita ao Cabo Espichel, nas proximidades de Sesimbra. Neste lugar tremendo e belo, olhamos o património construído, em condições de grande fragilidade. Tomamos memória, neste cenário cósmico, dos trilhos dos Dinossauros e dos cultos populares e míticos dos Círios que ali rumam desde o século XV. São nossos convidados Paulo Pereira, Luís Marques e Ilda Gomes.”
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Dedicado, mas não só, ao património construído do Cabo Espichel e emitido no dia 7 de janeiro de 2012, eis as palavras de apresentação do programa TSF “Encontros com o património”. Com a duração aproximada de 40 minutos, o programa completo poderá ser escutado na íntegra aqui.
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Rafael Carvalho / nov2011

domingo, 18 de dezembro de 2011

Batente zoomórfico em Monsaraz

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No Alentejo são frequentes os batentes zoomórficos, coisa rara no norte onde resido.
Será que ainda há quem os faça?
Rafael Carvalho / dez2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

“Recuperarte” – salvando o azulejo

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Intitulado "Salvar azulejos com uma lata de spray", a revista "Pública" em Outubro de 2009 apresentou um artigo sobre um artista de rua que tenta chamar a atenção para o triste delapidar de um dos maiores marcos da cultura Portuguesa na cidade de Lisboa – o azulejo. Refém de ladrões que os removem das paredes para depois os vender na Feira da Ladra, o projeto "Recuperarte" utiliza o street art em forma de stencil para chamar a atenção para um grave problema que urge ser resolvido. O melhor de tudo é que Maria d’ Almada (pseudónimo) não é profissional da street art. Faz isto de forma amadora, por amor ao street art e acima de tudo, por amor ao património importante que é o azulejo. E faz ela muitíssimo bem.
Mais imagens "Recuperarte" clicando aqui.
Adaptação de um texto obtido aqui.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ammaia – Cidade Romana (I)

Fotos: Ammaia - Marvão
+ Na minha semana de férias no Alto-Alentejo, defini duas prioridades: Marvão e Monsaraz. Estas duas povoações são definitivamente dois ex-líbris na região. Já o sabia aliás por aquilo que vou lendo sobre o que de melhor temos no país. A caminho do Marvão parei em Ammaia, cidade romana reportada na primeira imagem cujas escavações arqueológicas se iniciaram em 1995. Há semelhança de outros locais históricos (Santuário de Panóias, Gravuras Paleolíticas da Ribeira de Piscos, Castelo de Numão, …), também aqui o Centro Interpretativo reaproveitou estruturas já existentes - uma casa agrícola no caso. Salvaguardam-se assim dois patrimónios, junta-se o útil ao agradável. +
O Centro interpretativo - Museu Monográfico da Cidade de Ammaia, mostra a vida quotidiana da população que aqui viveu, bem como os diversos objectos aqui encontrados e inventariados, possuindo mesmo uma das mais importantes colecções de vidros romanos da Península Ibérica.
Rafael Carvalho /Ago2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

TSF – “O Douro e a Cultura da Vinha”

+ “Nesta emissão visitamos o Alto Douro Vinhateiro, distendido por 13 concelhos do nordeste do país. Com mais de 26 mil hectares, esta área foi classificada pela Unesco, em Dezembro de 2001, como Paisagem Cultural da Humanidade. E antes que abra a «Exposição sobre a vida singular de Dona Antónia», chegam ao Museu do Douro os convidados deste programa: os arquitectos Maia Pinto e Teresa Andresen e os enólogos Manuel Lobo e Paul Symington.” + Dedicado ao Alto Douro Vinhateiro e emitido no dia 11 de Junho de 2011, eis as palavras de apresentação do programa TSF “Encontros com o património”. Com a duração aproximada de 43 minutos, o programa completo poderá ser escutado na íntegra aqui.
Rafael Carvalho / Mar2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Caretos de Podence - Macedo de Cavaleiros

Fotografia e texto em itálico extraídos do Sítio do Careto
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“No alto da sua majestade, quais guerreiros perfilados exibindo suas armas e concentrando suas forças, guiados pelo seu instinto partem para a batalha. Isentos de medos ou receios perseguem a sua presa e aplicam o seu castigo! Acabada tão árdua contenda saciam a sua sede, descansam os seus espíritos e passam o testemunho. Exorcizam o que agora é velho, espreitam o futuro Entrudo e já podem descansar.” + Já há muito desejava visitar o território dos Caretos de Podence. Esse meu desejo foi cumprido! No texto acima transcrito há referência às armas dos Caretos – são os chocalhos com que as raparigas novas (as presas) são acrobaticamente chocalhadas num movimento de ancas viril e erótico (o castigo). A sede, essa é saciada nas adegas com o néctar dos vinhedos transmontanos.
Rafael Carvalho / Abr2011

quinta-feira, 17 de março de 2011

TSF – “Tapetes de Pedra ou o Sortilégio da Calçada Portuguesa”

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“Nesta emissão vamos conhecer as calçadas, implantadas nas cidades portuguesas e nas antigas colónias. Como tapetes de pedra, são uma arte , recuperada no Brasil, de grande extensão em Macau mas de preocupante abandono , entre nós. São nossos convidados, neste debate, o arquitecto José Manuel Fernandes, o historiador da arte, José de Monterroso Teixeira, a engenheira Helena Bicho e Fernando Fernandes.” + Dedicado à Calçada Portuguesa e emitido no dia 05 de Fevereiro de 2011, eis as palavras de apresentação do programa TSF “Encontros com o património”. Com a duração aproximada de 42 minutos, o programa completo poderá ser escutado na íntegra aqui.
Rafael Carvalho / Mar2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

Máscaras Ibéricas

+ Lazarim - Douro Sul, é terra de caretos. A imagem que hoje publico diz respeito a uma visita que os Caretos de Lazarim fizeram a Armamar, no passado dia 20 de Fevereiro.
Em tempo de Carnaval, fica aqui a ligação a uma infografia publicada no Jornal de Notícias, relativa às máscaras ibéricas.
E se são ibéricas são nossas. Cabe-nos a nós preservá-las e divulgá-las.
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Outras ligações:

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Aldraba na Cova

Foto: Cova da Serpe, Figueira da Foz
+ Antes de rumar ao interior, despeço-me da Cova da Serpe publicando a imagem de uma aldraba que por lá vi. Aldraba de ferro, como já não se faz…
Rafael Carvalho / Out2010

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Aldraba por terras de Mira

Na casa Gandaresa, o portão de acesso ao pátio é normalmente trancado com uma aldraba.
Rafael Carvalho / Ago2010

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Pormenores em Gosendinho

Fotos: Gosendinho, Castro Daire
+ Antes de no próximo post rumar ao litoral, não queria abandonar Gosendinho sem mostrar estas duas imagens. A primeira representa uma solução bastante frequente nas nossas aldeias. A preto e branco, ou a branco e preto, números de porta ou nomes de rua directamente pintados sobre a alvenaria das paredes. Sistema popular pelo baixo custo. A segunda imagem reporta-se a um carabelho, mecanismo de abertura e fecho de porta, normalmente usado em lojas de gado. A argola de ferro serve de puxador.
Rafael Carvalho / Ago2010

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Aveiro -Azulejos de 48 prédios têm salvaguarda máxima

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"A Carta de Risco do património azulejar aveirense aponta como prioridade máxima a salvaguarda de azulejos de 48 edifícios de Aveiro. O documento faz parte do Banco do Azulejo de Aveiro que em duas décadas de existência possui já 5000 peças registadas. Os azulejos de todos os edifícios de Arte Nova assim como os murais de autoria de Vasco Branco e Cândido Teles existentes em alguns pontos centrais da cidade de Aveiro, integram os 48 edifícios que a Carta de Risco do Banco do Azulejo de Aveiro aponta como prioridade máxima para a sua salvaguarda. Entre eles está também o painel de azulejos das "Quatro Estações", existente no prédio da rua Manuel Firmino, a primeira fachada classificada da cidade de Aveiro. Como prioridade média para a salvaguarda do património azulejar, a Carta de Risco do Banco do Azulejo de Aveiro identificou 232 edifícios desde o prédio onde esteve localizada a Assembleia Distrital na rua do Carmo, considerada a primeira casa em Aveiro a ter uma fachada de azulejo até aos prédios onde estão a Ourivesaria e o Oculista Vieira, perto da Biblioteca Municipal. A Carta de Risco do património azulejar envolve todo o centro histórico da cidade aveirense e ainda as zonas da Beira-Mar, Alboi, Avenida dr. Lourenço Peixinho, Estação da CP, rua Cândido dos Reis e rua do Gravito e foi elaborada para se conhecer mo estado em que se encontram as fachadas dos edifícios que possuem azulejo. O Banco do Azulejo de Aveiro, que existe desde 2005, foi recentemente distinguido com o prémio "Boas Práticas SOS Azulejo", um galardão instituído pela Polícia Judiciária para premiar o esforço dos municípios na salvaguarda do património azulejar e é considerado o único existente no país com a característica de salvaguarda e apoio técnico aos proprietários que têm fachadas azulejadas para a conservação e restauro dos azulejos. Muitas das vezes são doados azulejos desde que existam na reserva municipal. A vereadora da Cultura, Maria da Luz Nolasco, disse, ao JN, que o Banco do Azulejo, que existe desde 2005 "é a única forma que temos de preservar um documento e um testemunho que marca um época de materiais de revestimento com uma grande tradição em Aveiro". "É fazer a história da construção e arquitectura em Aveiro", referiu. O Banco do Azulejo tem hoje registados mais de cinco mil azulejos provenientes de demolições que têm sido efectuadas na cidade, A ultima foi há poucas semanas - e foram preservadas 500 peças azulejares de um edifício da rua do Gravito. Trata-se de azulejos de exteriores que foram aplicados no interior da casa. A peça de azulejo mais antiga que se encontra no Banco do Azulejo de Aveiro, que possui instalações de armazenamento nos Armazéns Gerais da Câmara de Aveiro, na zona Industrial de Taboeira, data do séc. XVI e é da Capela de Nª. Sª. da Aleluia."
JESUS ZING JN - 19 de Abril de 2010

segunda-feira, 19 de abril de 2010

TSF – “Do património rural às paisagens culturais”

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“…os Encontros com o Património descem à terra e saúdam o Património Rural e as paisagens culturais que se estendem pelo país. No debate participam Gonçalo Couceiro, Director do Igespar, o arquitecto José Aguiar, presidente do Ícomos de Portugal, o investigador Joaquim Pais de Brito, Director do Museu Nacional de Etnologia, e José Manuel Simões, professor catedrático e investigador do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa.”
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Dedicado ao Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, e emitido no dia 18 de Janeiro de 2010, eis as palavras de apresentação do programa TSF “Encontros com o património”. Contribuir para que as populações em geral desenvolvam uma consciência de que o património associado aos trabalhos rurais é um factor que contribui para o desenvolvimento sustentável foi uma das preocupações inerentes à escolha deste tema. Com a duração de 42 minutos, o programa completo poderá ser escutado na íntegra aqui.
Rafael Carvalho / Jan2009

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aldraba em velha porta de madeira

Foto: Quintandona, Penafiel
+ As ferragens artesanais têm um encanto especial, desde logo porque não existem duas iguais. Na imagem uma aldraba. Abrir uma porta rodando uma aldraba leva-nos a viajar no tempo. Na era das novas tecnologias usar, sentir uma aldraba, recorda-nos que vivemos num mundo real. As aldrabas, puxadores e batentes tradicionais, constituem parte do património invisível do nosso país. Se há quem reconheça este património e orgulhosamente o preserve, também há quem o ignore e despreze. Para nossa desgraça e para desgraça da nossa identidade cultural, portas de madeira e aldrabas vão sendo substituídas pelo alumínio. Troca-se o ouro pelo pechisbeque, descaracterizam-se os nossos povoados.
Rafael Carvalho / Fev2010

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Aldeias Sonoras

Texto e imagem obtidos aqui
+ "O mundo rural português está a despovoar-se e, com ele, vai paulatinamente morrendo uma cultura tradicional e uma relação particular com a paisagem e seus usos. À semelhança de outros países europeus, assiste-se a um processo de pós-ruralização, com implicações em diversos domínios: económico, psicológico, social, cultural. Estas transformações formam uma malha complexa e sobreposta de realidades. Não existe um antes e um depois. As formas ancestrais de viver o rural (ainda) coexistem com novos usos da paisagem, com novas actividades e prioridades, muitas delas ligadas a uma dimensão ociosa. Perante este cenário, existe hoje um imperativo de defesa e documentação de realidades paisagísticas rurais, para além da perspectiva ambiental em sentido estrito. A paisagem enquanto sobreposição de elementos naturais de fauna, flora e geologia, mas que inclui também elementos de intervenção humana, sejam arquitectónicos, agrícolas, saberes, utensílios, etc. Uma realidade que abrange todas as dimensões da paisagem é a acústica. Quais os sons que a nossa paisagem rural incorpora? Quanto deles já desaparecerem irremediavelmente? Estamos habituados a olhar o mundo que nos rodeia, mas quanto tempo nos dedicamos a escutar a “música” da paisagem? O que podemos aprender acerca das comunidades rurais através da dimensão sonora? Hoje em dia existe uma consciencialização crescente para a necessidade de defender, estudar e documentar o património sonoro, de tal forma que existem estudos de ecologia sonora e algumas áreas geográficas (como a região autónoma da Galiza) incluem a dimensão sonora no âmbito do seu património imaterial autóctone. É com este contexto presente que surge o projecto “Aldeias Sonoras”. “Aldeias Sonoras” é um projecto educativo da associada Binaural/Centro de Residências Artísticas de Nodar, coordenado por Luís Costa, de mapeamento sonoro de zonas rurais portuguesas, em paralelo com o seu levantamento geográfico, histórico e sócio-cultural. O projecto envolverá escolas básicas e secundárias de zonas rurais de diversas regiões de Portugal, começando uma fase-piloto nos anos de 2009 e 2010 na zona de S. Pedro do Sul e da Serra do Montemuro, pela sua proximidade ao Centro de Residências Artísticas de Nodar (S. Pedro do Sul) e pelo conhecimento profundo que os autores do projecto têm da sua diversidade paisagística e humana. O projecto pretende evidenciar a riqueza sonora do mundo rural português e a necessidade de o registar, envolvendo crianças e jovens nessa descoberta, promovendo em paralelo o sentido de identidade, de diversidade e de orgulho em viver no campo. “Aldeias Sonoras” envolverá uma série de módulos de aprendizagem teórico-prática, com o objectivo de dotar os alunos de conhecimentos de tecnologias de registo e edição de sons, utilização de blogs para a organização e distribuição de informação, associando cada etapa do projecto a diversas disciplinas curriculares (nas áreas da arte, história, cidadania, geografia, tecnologias de informação, etc.)."
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Organização: