domingo, 21 de fevereiro de 2010

Aldraba em velha porta de madeira

Foto: Quintandona, Penafiel
+ As ferragens artesanais têm um encanto especial, desde logo porque não existem duas iguais. Na imagem uma aldraba. Abrir uma porta rodando uma aldraba leva-nos a viajar no tempo. Na era das novas tecnologias usar, sentir uma aldraba, recorda-nos que vivemos num mundo real. As aldrabas, puxadores e batentes tradicionais, constituem parte do património invisível do nosso país. Se há quem reconheça este património e orgulhosamente o preserve, também há quem o ignore e despreze. Para nossa desgraça e para desgraça da nossa identidade cultural, portas de madeira e aldrabas vão sendo substituídas pelo alumínio. Troca-se o ouro pelo pechisbeque, descaracterizam-se os nossos povoados.
Rafael Carvalho / Fev2010

4 comentários:

Júlia Galego disse...

E aquela fechadura? A que correspondiam chaves enormes que estão completamente em desuso ou servem para "decorar" um qualquer aparato com escápulas.
As antigas aldrabas e batentes acabam por ir parar ao ferro-velho ou, mais fino, a antiquários que os vendem por bom preço sobretudo a estrangeiros que apreciam estes objectos e os usam depois com outras funções.

Rafael Carvalho disse...

Júlia,
moro na minha casa nova desde Setembro.
O meu portão da entrada principal possui uma aldraba. A fechadura da minha garagem é dessas com uma chave enorme a que se refere. Estes elementos foram recuperados, não os deixei ir para o ferro-velho nem para o estrangeiro. Juntaram-se-lhes ainda alguns batentes e puxadores.
Cumprimentos.

AC disse...

Rafael, gosto muito de fotografias de portas. Achei engraçado que quem colocou a fechadura a pôs ao contrário ;)

Rafael Carvalho disse...

AC,
estas velhas portas recorrem muitas vezes à reutilização de materiais, coisa que nesta sociedade, de aparente fartura, fomos esquecendo.
As fechaduras são esquerdas ou direitas, consoante o lado da abertura da porta. O reaproveitamento de fechaduras pode por isso implicar colocá-las de pernas para o ar.
Cumprimentos.