terça-feira, 3 de junho de 2008

Conservação de Portas Antigas


Foto: Armamar
O postigo da imagem foi posto a descoberto na porta de uma casa datada de 1908, mencionada na última mensagem.
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Pela autenticidade que uma porta antiga pode conferir ao edifício em que se insere, aqui ficam alguns conselhos para a sua recuperação promovidos por:
The Society for the Protection of Ancient Buildings
Charity No. 231307 37
Spital Square, London E1 6DY
tel 020 7377 1644 fax 020 7247 5296
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ACONSELHAMENTO TÉCNICO
PERGUNTAS E RESPOSTAS FREQUENTES
CONSERVAÇÃO DE PORTAS ANTIGAS
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As portas são evidências históricas importantes dos edifícios antigos. Apesar de menos comum do que em épocas passadas recentes, a remoção e substituição de portas antigas é uma das preocupações da SPAB.
P. Porque devo resistir à tentação de substituir as minhas portas ?
R. A remoção de portas antigas pode significar uma redução importante do carácter e da autenticidade de um edifício. As portas existentes podem frequentemente ser reparadas e, se necessário, beneficiadas no que respeita a melhor segurança ou a melhor anti-intrusão. A sua substituição é um último recurso, e deve ser normalmente compatível em termos de estilo e de materiais. A SPAB está apta a aconselhar nomes de carpinteiros competentes.
É um erro vulgar usarem-se portas de produção em série “de estilo” que são muito grandiosas ou incompatíveis com a edificação.
P. A degradação ou a má conservação não são boas razões para se substituir uma porta ?
R. Geralmente não. Normalmente só está afectada uma pequena área, tal como a base da porta que pode estar apodrecida. Um carpinteiro competente irá, em muitos casos, ser capaz de a emendar com madeira nova bem seca, a condizer. É prudente o uso de madeira duplamente tratada por vácuo onde exista uma certa probabilidade de futuras penetrações de humidade e de apodrecimento. Áreas menores de degradação podem ser simplesmente preenchidas. É importante, claro, tratar-se primeiro da causa de qualquer degradação activa – por exemplo, uma caleira rota ou um remate da alvenaria, em chumbo, defeituoso.
P. Como se pode evitar o arrastar de uma porta ?
R. O arrastar é consequente da expansão sazonal, de uma aduela empenada ou da falta de dobradiças.
O arrastar sazonal, causado pela expansão induzida pelo humedecimento, pode ser tolerado. Quando uma aduela está ligeiramente empenada, uma aplainagem cuidadosa e uma passagem à lixa na porta irão geralmente evitar que ela fique bloqueada. Os empenos severos, no entanto, podem indicar um problema estrutural (geralmente um movimento na parede ou uma rotura num lintel). Para se fixarem as dobradiças soltas, pode ser necessário tornar a assentá-las depois de se ter introduzido cavilhas de madeira coladas no interior dos furos dos parafusos e depois de ter aberto novos furos (especialmente onde os furos tiverem ficado alargados por anteriores ligeiras afinações das dobradiças).
P. Como se trata de uma porta empenada ?
R.
Pode ser possível contrariar-se o empeno de uma porta pela colocação de mais uma dobradiça, alterando-se a posição de uma dobradiça já existente, ou usando-se uma tranca para obrigar o empeno a voltar ao lugar. Alternativamente, o batente da aduela pode ser, por vezes, cuidadosamente desbastado ou mudado de posição.
Se forem necessárias medidas mais substanciais, pode-se deitar a porta num plano e endireitá-la pela aplicação de pesos durante alguns dias ou semanas. Outro método é a remoção dessa porta e o seu desempeno pela utilização de um sistema de arame torcido e calços.
P. Como se repara um painel de porta rachado?
R. Por vezes os painéis das portas racham quando retraem e têm impedido esse movimento dentro da sua armação, geralmente por acumulação de tintas. Se estiverem soltas, as duas partes de um painel podem ser coladas entre si novamente. Devem ser unidas e fixadas com agrafos temporários cruzando a racha, até que a cola seque. Se o painel não se conseguir mover, podem-se colar fasquias de madeira dentro da racha (que pode ter que ser alargada) e dar-lhes acabamento à face do painel.
P. Possivelmente devem-se preservar as antigas ferragens da porta?
R.
Sim, sempre. Batentes antigos, maçanetas, fechaduras, etc. podem dar uma pequena mas valiosa contribuição para o carácter do edifício. A sua manutenção irá envolver pouco mais que uma eventual lubrificação das fechaduras e das dobradiças. Por vezes um trinco desalinhado pode ser corrigido calçando-se uma dobradiça com um cartão por detrás. Quando uma porta abanar, pode-se resolver o caso afinando-se a chapa de testa da fechadura. Existem acessórios com funcionamento por alavanca que permitem manterem-se as maçanetas velhas das portas, mas adaptadas para pessoas com artrite.
P. É correcto decaparem-se as portas antigas?
R.
Não, esta moda recente é geralmente incorrecta sob o ponto de vista histórico e pode causar danos. A maioria das portas antigas são feitas com madeiras brandas que depois eram pintadas. Uma excepção são as portas de carvalho anteriores ao século XVIII que, se não estivessem pintadas a cal, eram por vezes deixadas sem pintura.
O jacto de areia estraga a superfície da madeira. A imersão em “banho ácido” pode levantar o grão e, por amolecimento da cola, enfraquecer as juntas. É geralmente desaconselhado aplicar-se óleo de linhaça, velatura ou verniz em portas de carvalho não pintadas. Se for considerado vital, pode ser aplicada cera de abelhas ou aguarrás pelo lado interior do carvalho não pintado.
P. As portas antigas são conformes às medidas de precaução contra incêndios, onde tal é exigido?
R.
A sua substituição não é inevitável. A possibilidade de melhoria das suas condições de resistência ao fogo depende da qualidade de cada conjunto de porta, e do período de resistência ao fogo especificado (o qual é determinado pela utilização do edifício e pelas funções da porta). Na sede da SPAB, por exemplo, foram incorporadas mantas de fibra de vidro sobre os painéis das portas para aumentar o período de integridade da tinta intumescente. Isto conseguiu apenas 30 minutos de resistência ao fogo, mas um esquema de pressurização da escada aumentou este período para os 60 minutos requeridos.
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Tradução e edição por António de Borja Araújo, Engenheiro Civil, IST.
Informação extraída de
http://www.lisboa-renovada.net/doc/conservmadeira/portas_antigas.pdf
Rafael Carvalho / Jun2008