quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Roupa estendida...

Foto: Leomil, Mta. da Beira +
Se há roupa estendida, há vida, há gente!... (…) Como diz Villaret, a roupa na janela é um retrato dos seus proprietários. Se por acaso vemos uma camisola de futebol, percebemos que o filho mais velho vai jogar futebol (…). Se vemos um alinhamento de peúgas esburacadas, descobrimos que não existe uma avó que se dedique à nobre tarefa de passajar a roupa. Se surgem camisas de dormir com formas voluptuosas, damo-nos conta da turbulência libidinal que vai por aquela casa. Se vemos um xaile preto, cheira-nos a fado. Se vemos umas calças de ganga cheias de tinta branca, compreendemos que o pai trabalha na construção civil. Se vemos uma farda reluzente, ficamos a saber que há guarda republicano nas imediações. Se existe uma farda de bombeiro, sentimos o odor a fogo na floresta. Se vemos um conjunto de meiinhas cor-de-rosa, avançamos com a hipótese de o bebé ser menina. (…)
(…) E deste modo ficas a conhecer a vida quotidiana daquela família, os membros que a compõem, a sogra que vem passar duas semanas (…).
Eduardo Prado Coelho / in Nacional e Transmissível Rafael Carvalho / Jan2009

3 comentários:

Nuno Correia disse...

É uma exelente fotografia acompanhada por um texto mais que apopriado.

Nuno Correia

Rafael Carvalho disse...

Nuno,
quando o modelo é bom, não é dificil fazer a fotografia.
Cumprimentos.

Anónimo disse...

quello che stavo cercando, grazie