sexta-feira, 16 de março de 2012

Uma casa - uma única porta, em Bemposta


Foto: Bemposta / Mogadouro
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Habitante do Alto-Douro no seu curso médio, há muito ansiava conhecer a montante um pouco melhor a região de Miranda e Bemposta. Fi-lo durante um fim-de-semana no verão passado. Este ano vou lá voltar. As referências são para mim muitas – os meus sogros por lá iniciaram a vida.
A modesta casa da imagem encontrei-a na parte alta de Bemposta. A precisar que lhe lavem a cara, achei-a contudo curiosa. Como cobertura possui apenas uma única água. Como vão uma única porta. Sorte teve o gato que não foi esquecido – cliquem na imagem para a ampliar, olhem bem para a entrada e adivinhem porquê. O contraste entre o tosco reboco e a alvenaria de pedra circundante ajuda ao enquadramento. A fraga à esquerda ajuda a preservar a identidade do local.
Comentava uma velha senhora, orgulhosa da sua terra, que Bemposta evoluiu muito nos últimos anos. A proliferação de habitações novas na periferia seria a prova de tal afirmação.
Na continuação da conversa não lhe disse o que me ia na alma: O abandono do centro histórico promovido pela construção de novas habitações, sem alma e de gosto duvidoso, descontextualizadas e desenraizadas constitui para mim um nítido retrocesso.
Rafael Carvalho / mar2012

6 comentários:

J Pinto disse...

Temos um património a desaparecer perante uma civilização inerte, acomodada ao cimento e ao plástico.

Um drama do mundo actual que nos envergonha.

Júlia Galego disse...

Estranha casa, parece uma fortaleza. As chaminés são muito interessantes.
Cumprimentos

Rafael Carvalho disse...

J Pinto,
também temos bons exemplos! Pena é que não se multipliquem...

Júlia,
também eu reparei nas chaminés. Em Bemposta existem mais do mesmo tipo.

Cumprimentos a ambos.

Anastasia disse...

Hola:
estuve el verano pasado fotografiando esta casa también. Creo que es una abertura realizada en las antiguas murallas dionisianas del siglo XIII.

Este blog resulta muy útil para mí.

Rafael Carvalho disse...

Anastasia,
comentava acima a amiga Júlia Galego que a casa parece uma fortaleza. Se a fachada resulta de uma abertura realizada nas antigas muralhas dionisianas, do século XIII, está justificado.
Temos em comum o gosto pelo Douro, pelas suas gentes e pelo seu património histórico e natural.
Volte sempre.

Anastasia disse...

Moito obrigada:
la pena es que no me expreso en portugués. Uno de los lenguajes literarios más expresivos y con más fuerza.
Soñar, soñar con Trás-os-Montes.
Um abraço.