domingo, 7 de novembro de 2010

RTP - Regresso ao Campo

+
Querem mudar de vida, tal como os seus pais e avós, mas têm outros valores... João Carvalho viveu onze anos em Londres. Teve êxito, mas fartou-se do frenesim citadino e dos horários das 9 às 5. Optou por uma existência mais simples. Veio viver com a mulher e o filho recém-nascido para uma casa velha que comprou na Benfeita, em Arganil. Está a reconstruir a casa pelas suas próprias mãos. Só usa ferramentas manuais, e o mínimo de cimento ou de combustíveis fósseis. O casal é vegetariano. Por isso, quando chega a hora de almoço, Claire só tem de descer às hortas abandonadas mais próximas para colher a refeição. Também já fizeram vinho e cinquenta litros de azeite. João desistiu propositadamente de uma vida com torradeiras e aquecimento eléctrico. Podia tê-la sem dificuldade, mas quer “viver com menos”, como diz. Claire e João são um exemplo de um grupo de novos rurais com crescente implantação nalgumas partes esquecidas de Portugal, como a serra da Lousã ou o barrocal algarvio. Os primeiros destes neo-rurais eram estrangeiros. Vinham de uma Europa Central então ameaçada por Chernobyl. Por cá, desde os anos quarenta do século passado que as migrações eram em direcção às cidades. Foi este êxodo que transformou Portugal num país macrocéfalo, com um interior cada vez mais desertificado e a população concentrada no Litoral e na Grande Lisboa. Mas o mundo rural mudou muito nos últimos trinta anos. Os tractores substituíram o trabalho braçal. Hoje também há supermercados, auto-estradas, subsídios comunitários, Internet. Iniciou-se outra migração interna, a mudança para o campo dos ex-citadinos, e os geógrafos até já distinguem diferentes grupos de “neo-rurais”: os que partem por motivação ecológica, os que na reforma regressam à terra natal, aqueles que se dedicam ao tele-trabalho, e até os desempregados por causa da crise... São algumas dessas pessoas que o documentário vai encontrar. “Valorizam o seu próprio tempo e modos de vida mais solidários “ – explica a geógrafa Teresa Alves – “e vão à procura de actividades em equilíbrio com a natureza. Também são pessoas que têAdicionar imagemm uma cultura de território e que buscam um lugar específico onde possam ser felizes”.
+ Dedicado aos neo-rurais e emitido no dia 1 de Novembro, eis as palavras de apresentação do documentário “Regresso ao Campo”. Com a duração de 51 minutos, é um documentário de Paulo Silva Costa, com imagem de Rui Lima Matos, edição de João Gama, sonorização de Luís Mateus e produção de João Barrigana. Poderá visualizar o programa completo aqui. Se preferir veja aqui um excerto do mesmo documentário, com a duração aproximada de 10 minutos.
Rafael Carvalho / Nov2010

6 comentários:

Armando Ferreira disse...

Eis um tema que me é caro. Lenta, muito lenta, mais inexorávelmente, o regresso ao mundo rural far-se-á. Resta saber que mundo rural os neo-rurais vão encontrar. Um quase nada do qual irão construir um mundo neo-rural, com poucas referências e fracas raízes. Ou haverá ainda um mundo rural autêntico e genuíno à sua espera, em que se possam integrar e de alguma maneira, à sua maneira, dar continuidade a saberes e formas que possam identificar como suas e nossas. Essa é a minha dúvida e o nosso desafio.
Cumprimentos.

Rafael Carvalho disse...

Armando,
li as suas palavras. Revejo-me no que foi escrito.
Cumprimentos.

nuno disse...

Obrigado por trazer este tema, esta também é a minha luta.
Um abraço.

Nuno Correia

Rafael Carvalho disse...

Um abraço amigo Nuno.

Unknown disse...

Olá!!
até eu gostava de ser neo-rural (ora aí está uma designação que desconhecia).
Concordo com o Armando, também.
Beijinhos

Rafael Carvalho disse...

AC,
Neo-rural...
vamos ampliando o nosso vocabulário.
Cumprimentos.